Assim como nas eleições do Recife, objetivos de Túlio Gadelha na Rede entram em conflito com intenções do PSOL e político pode levar chapa a outra sigla
por Cynara Maíra
Publicado em 19/02/2026, às 07h41 - Atualizado às 08h20
A federação PSOL-REDE enfrenta nova crise em Pernambuco após o grupo de Túlio Gadêlha (Rede) lançar o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, como pré-candidato ao Governo do Estado.
O PSOL reagiu imediatamente e reafirmou que defenderá o nome do ex-vereador Ivan Moraes para o cargo, além de manter a pré-candidatura de Jô Cavalcanti ao Senado.
Como as siglas estão federadas, a decisão final deve ocorrer via "consenso progressivo" ou votação na Assembleia Geral, instância onde o PSOL detém a maioria dos 27 membros.
O cenário repete o impasse de 2024, quando a maioria psolista barrou as pretensões de Túlio Gadêlha e lançou Dani Portela à Prefeitura do Recife.
Nos bastidores, especula-se que Túlio planeja migrar para o PDT, mas enfrenta a concorrência interna de Marília Arraes (Solidariedade), que também avalia a legenda para disputar o Senado.
Ivan Moraes adotou um tom conciliador nas redes sociais, mas a cúpula do PSOL sinaliza que não abrirá mão da cabeça de chapa na disputa estadual.
O PSOL e a Rede Sustentabilidade entram em nova tensão na federação em Pernambuco nesse início de 2026. O caso ocorre após o deputado federal Túlio Gadelha (Rede) lançar um manifesto a favor da candidatura do reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, para governador do estado.
Além de Alfredo, o grupo também divulgou na quarta-feira (18) o nome do ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago para o Senado.
O impasse é que o PSOL já lançou a pré-candidatura do ex-vereador Ivan Moraes e da vereadora Jô Cavalcanti para o Senado. Como os partidos estão federados, apenas um grupo poderia disputar uma majoritária.
Após o lançamento das pré-candidaturas, o PSOL e Ivan Moraes chegaram a reagir. Representantes do Partido Socialismo e Liberdade afirmaram que defenderão o nome de Ivan para o Governo de Pernambuco.
Em nota, o presidente da federação Rede-PSOL em Pernambuco, Jerônimo Galvão, disse que os partidos têm autonomia para lançar seus pré-candidatos e que uma decisão seguiria o formato interno de "consenso progressivo".
Esse sistema deixaria para uma Assembleia Geral da Federação a decisão. O grupo de 27 membros são indicados a partir da proporção dos partidos em eleições anteriores. Em Pernambuco, o PSOL tem maioria.
Ao falar sobre o tema no X, Ivan Moraes usou um tom cordial e indicou que estaria aberto para diálogo. O ex-vereador destacou sua boa relação com o reitor e defendeu a construção de uma unidade na federação, com uma composição conjunta entre os grupos.
"O reitor Alfredo tem feito um belo trabalho na UFPE e Paulo Rubem é referência histórica para o campo progressista. Somos uma federação em que o Psol tem maioria e tenho certeza que chegaremos a um acordo programático e conto muito com o apoio deles à nossa candidatura", disse.
Os partidos precisariam dialogar o tema, já que uma fragmentação de dois partidos menores em uma disputa polarizada entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) diminuiria as chances de sucesso eleitoral para federação.
A situação entre o PSOL e a Rede já ocorreu na eleição municipal de 2024 no Recife. O deputado Túlio Gadelha desejava se candidatar ao cargo de prefeito da capital pernambucana, Dani Portela também. Com maioria do PSOL na federação, Dani saiu ao cargo e ficou em terceiro lugar, à frente de Daniel Coelho (PSD).
Há rumores de que Túlio tenha planos de retornar ao PDT e levar a chapa lançada quarta com ele. O principal impasse seria as negociações da ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade), que estaria especulando lançar seu nome ao Senado no PDT. Marília já afirmou que apoia João Campos independente de legenda ou cargo.