PSOL decide neste sábado se filia Jones Manoel para disputa à Câmara Federal

Direção nacional do PSOL também vai discutir possível entrada do partido na federação formada por PT, PV e PCdoB, tema que divide correntes internas

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 05/03/2026, às 13h07 - Atualizado às 13h10

Imagem PSOL decide neste sábado se filia Jones Manoel para disputa à Câmara Federal

PSOL se reúne no sábado (6) para decidir filiação de Jones Manoel.

Historiador pretende disputar vaga de deputado federal por Pernambuco.

PCBR autorizou participação do militante na eleição por meio do PSOL.

Reunião também discutirá possível federação do partido com PT, PV e PCdoB.

A Executiva Nacional do PSOL se reúne no próximo sábado (6) para decidir se aceita ou não a filiação do historiador e comunicador digital Jones Manoel, que pretende disputar uma vaga de deputado federal por Pernambuco nas eleições de outubro, conforme uma fonte sob reserva ao Jamildo.com, que vem noticiando nos últimos meses sobre as negociações.

Caso a entrada seja aprovada e Jones seja eleito, o professor pode se tornar o primeiro filiado da legenda a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo estado, visto que é cotado para ser um dos candidatos mais votados do estado, superando o protagonismo da direita no pleito de 2022, onde os parlamentares eleitos mais votados foram ligados ao campo conservador.

Com forte presença nas redes sociais, o historiador reúne cerca de 1,9 milhão de seguidores no Instagram e mantém um canal no YouTube com aproximadamente 600 mil inscritos. Segundo dados divulgados por ele próprio, suas plataformas digitais acumulam cerca de 200 milhões de acessos mensais e entre 2 e 3 milhões de visualizações por mês na plataforma de vídeos.

Com presença frequente em debates, Jones Manoel ganhou projeção nacional nos últimos meses ao participar de entrevistas, podcasts e palestras em diferentes estados, inclusive o PodJá - o podcast do Jamildo, além de produzir conteúdos sobre teoria política e história.

Agora, o recifense da favela da Borborema aguarda apenas a definição da direção nacional do PSOL para formalizar a filiação e disputar a eleição. A transferência dependeu de uma autorização do PCBR, já confirmada em nota divulgada pela organização.

No comunicado, o partido afirmou que pretende utilizar a candidatura como forma de ampliar a divulgação de seu programa político. A legenda não possui registro eleitoral e, por isso, articula a candidatura por meio da filiação ao PSOL.

Segundo o documento, Jones Manoel tem capacidade de apresentar no Parlamento as posições defendidas pela organização, atuando como “tribuno do povo” e dando visibilidade às propostas socialistas. A estratégia é concentrar esforços na campanha do historiador e apoiar nomes de outros estados que mantenham independência política e defendam propostas socialistas.

Debate interno sobre federação

A reunião da Executiva Nacional do PSOL também deve discutir outro tema que vem provocando divisões dentro da legenda: a possibilidade de entrada do partido na federação formada por PT, PV e PCdoB.

O convite para que o PSOL integre a aliança foi feito pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. A discussão ocorre em meio ao desafio imposto pela cláusula de barreira, que exige que as legendas elejam pelo menos 13 deputados federais distribuídos em um terço das unidades da federação ou alcancem 2,5% dos votos válidos nacionais.

Dentro do PSOL, a proposta divide correntes internas. O grupo Revolução Solidária, ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e à deputada federal Erika Hilton (SP), defende a adesão à federação.

Deputado federal Guilherme Boulos e vereadora Jô Cavalcanti
Deputado federal Guilherme Boulos e vereadora Jô Cavalcanti - DIVULGAÇÃO/ JO CAVALCANTI

Em Pernambuco, essa corrente tem ligação política com a vereadora do Recife e pré-candidata ao Senado, Jô Cavalcanti, embora tenha menor peso dentro da estrutura partidária estadual.

Outras alas da legenda, como o Primavera Socialista e o Movimento Esquerda Socialista e Subverta, do pré-candidato ao governo, o vereador Ivan Moraes, se posicionam contra a proposta e defendem que o partido mantenha autonomia eleitoral.

Na quarta-feira (4), integrantes da Revolução Solidária divulgaram um manifesto nas redes sociais defendendo maior convergência entre forças de esquerda. No texto, o grupo afirma que “unir a esquerda não significa apagar diferenças” e sustenta que, diante de ameaças políticas e econômicas, é necessário construir convergência para defender a população.