Oposição critica João Campos após prefeito não comparecer à retomada da Câmara do Recife

João Campos foi representado pelo secretário Jorge Vieira, que enfrentou tumulto na chegada ao plenário. Oposição classificou a ausência como "desrespeito"

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/02/2026, às 11h44 - Atualizado às 12h06

Câmara Municipal do Recife
Câmara do Recife retomou atividades nesta segunda (02). João Campos está em Brasília - DIVULGAÇÃO

A Ausência: João Campos não compareceu à reabertura da Câmara do Recife e foi representado pelo secretário Jorge Vieira. A base alegou agenda em Brasília.

A Crítica: O líder da oposição, Felipe Alecrim, chamou a falta de "desrespeito" e "desprestígio" com o Legislativo.

O Tumulto: O vereador Eduardo Moura (Novo) abordou o secretário Jorge Vieira de forma agressiva, gerando confusão. O presidente Romerinho Jatobá pediu desculpas.

O Impeachment: A Câmara vota nesta terça (3) a admissibilidade do pedido de impeachment contra João Campos, motivado pela polêmica do concurso de procurador.

O Balanço: A mensagem do prefeito destacou investimentos em creches, saúde e obras, citando R$ 2,5 bilhões aplicados entre 2021 e 2024.

A Câmara Municipal do Recife retomou os trabalhos legislativos de 2026 nesta segunda-feira (2) sem a presença do prefeito João Campos (PSB).

O gestor, que deve renunciar ao cargo em abril para disputar o Governo de Pernambuco, foi representado pelo secretário de Planejamento e Gestão, Jorge Vieira. A ausência do chefe do Executivo gerou críticas da bancada de oposição, que classificou o ato como "desrespeito" ao Legislativo.

O líder da oposição, vereador Felipe Alecrim (Novo), utilizou a tribuna para cobrar a presença do prefeito. Segundo o parlamentar, a sessão solene seria a oportunidade para Campos ouvir tanto os aliados quanto o contraditório.

"É lamentável a ausência do prefeito aqui. Mais uma vez, fere as prerrogativas do desprestígio a essa casa, a esse poder legislativo que dá voz ao povo da cidade do Recife", disparou Alecrim.

O líder do governo, vereador Samuel Salazar (MDB), justificou a falta do prefeito alegando uma agenda oficial em Brasília. Segundo Salazar, João Campos teria uma audiência com o ministro dos Transportes, Renan Filho, para tratar de interesses da cidade.

"O prefeito tem que estar sempre buscando o melhor pra cidade. Hoje, se ele tem essa possibilidade de estar em Brasília com o ministro Renan Filho tratando de pautas importantes para o Recife, acho que ele tem que buscar os melhores interesses", defendeu Salazar.

Apesar do tumulto, o secretário Jorge Vieira leu a mensagem anual do prefeito, que destacou avanços da gestão nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. O texto citou a expansão da rede de creches, a reforma de unidades de saúde e o volume recorde de investimentos públicos, que somaram R$ 950 milhões apenas em 2024.

Tumulto e Desculpas

A sessão começou com um princípio de confusão logo na chegada do representante da prefeitura. O vereador de oposição Eduardo Moura (Novo) abordou o secretário Jorge Vieira na entrada do plenário, filmando com o celular e fazendo questionamentos. Moura chegou a subir em direção à mesa diretora, mas foi contido por outros parlamentares.

O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), interveio e pediu desculpas públicas ao secretário. "Me antecipo e peço desculpas ao secretário Jorge Vieira, pela forma como foi abordado aqui, deselegante, por algum colega nosso", declarou Jatobá.

Pedido de Impeachment

O clima tenso na reabertura do Legislativo reflete a expectativa para a sessão de terça-feira (3), quando a Casa votará a admissibilidade de um pedido de impeachment contra João Campos. O processo, proposto pelo próprio Eduardo Moura, baseia-se na polêmica envolvendo a nomeação de um procurador municipal.

O caso envolve um candidato, filho de um desembargador, que foi aprovado na 63ª posição no concurso geral, mas acabou nomeado na vaga de Pessoa com Deficiência (PCD) após apresentar laudo de autismo tardiamente.

A prefeitura anulou a nomeação após a repercussão, mas a oposição sustenta a tese de favorecimento e troca de influências, negados por João Campos. 

O líder do governo, Samuel Salazar, minimizou o risco político e classificou o pedido como "vazio" e "eleitoreiro". Já a oposição promete usar a tribuna para cobrar explicações, mesmo reconhecendo a maioria governista na Casa.

O projeto de impeachment não deve passar para outras etapas, já que exigiria 19 votos ao menos. A oposição detém apenas 11 nomes, com os restantes majoritariamente aliados de João Campos.