Deputado do União Brasil afirma que indefinição da federação entre Raquel Lyra e João Campos gera insegurança política a poucos meses das convenções
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 11/03/2026, às 15h01
- Mendonça Filho pediu à direção nacional da federação decisão sobre apoio em 2026.
- União Progressista reúne União Brasil e PP e vive divisão em Pernambuco.
- Deputado é aliado de Raquel Lyra e defende apoio à reeleição da governadora.
- PP reafirmou apoio à gestora em fevereiro, mas cenário político segue em debate.
O deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE) solicitou à direção nacional da Federação União Progressista que defina qual candidatura ao Governo de Pernambuco será apoiada nas eleições de 2026: a da governadora Raquel Lyra (PSD), que disputará a reeleição, ou a do prefeito do Recife, João Campos (PSB), principal nome da oposição.
O pedido foi formalizado por meio de ofício enviado aos presidentes nacionais do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas (PP), Ciro Nogueira. No documento, o parlamentar argumenta que a federação vive um cenário de divisão interna no estado e defende que a definição seja tomada pelas instâncias nacionais das siglas.
“Sempre pautei minha atuação pela transparência e pela clareza de posicionamentos políticos. Aprendi com meu pai que em política a gente tem que ter lado. Por isso, defendo que a Federação tem que assumir uma posição, em respeito aos seus filiados, aos deputados, prefeitos e aos candidatos ao Governo”, afirmou Mendonça.
Vice-presidente estadual do União Brasil e integrante da executiva nacional do partido, o deputado argumenta que a indefinição ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. Até o dia 3 de abril está aberta a janela partidária, onde é o período de reorganização partidária, com negociações envolvendo filiações, alianças e formação de chapas.
De acordo com Mendonça, a proximidade das convenções partidárias, a partir de agosto, exige uma posição mais clara da federação em Pernambuco. “A aproximadamente quatro meses das convenções partidárias, a ausência de uma definição clara da Federação em Pernambuco gera insegurança política e compromete a organização do processo eleitoral”, declarou.
Aliado da governadora Raquel Lyra, Mendonça defende que a federação apoie a candidatura à reeleição da atual gestora. Ele também argumenta que o estatuto da Federação União Progressista prevê que, em casos de divergência entre as direções estaduais, a decisão deve ser tomada pelas executivas nacionais dos partidos que compõem a aliança.
Segundo o deputado, o artigo 27 do estatuto da federação estabelece que impasses nos estados devem ser submetidos à deliberação das direções nacionais. “Se há uma divisão na estadual, nada melhor do que cumprir o estatuto. A decisão da direção nacional ajudará a dar clareza política e estratégica à atuação da federação em Pernambuco”, afirmou.
Mendonça Filho aguarda, ainda, a definição nesta janela partidária. O ex-ministro da Educação pode sair do União Brasil e pode ter o PSD ou Novo como destino para tentar a reeleição.
A federação União Progressista reúne União Brasil e Progressistas (PP) e ainda aguarda homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova estrutura partidária deverá concentrar 109 deputados federais, 14 senadores e cerca de 1.300 prefeitos no país.
Em Pernambuco, a presidência da federação está prevista para ficar com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP). O partido integra a base da governadora Raquel Lyra desde o segundo turno das eleições de 2022 e, em nota divulgada em 23 de fevereiro, reafirmou apoio à sua pré-candidatura à reeleição.
O PP também ocupa cargos na estrutura do governo Raquel, incluindo espaços no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PE), Porto do Recife, Secretaria de Turismo e Arena de Pernambuco.
Nos bastidores, porém, lideranças da federação discutem diferentes cenários e pode mudar de lado, seguindo para o prefeito João Campos e ser candidato ao Senado num palanque com Humberto Costa (PT).
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