Dudu da Fonte rebate discurso de Mendonça Filho sobre proximidade com Raquel e lembra que o adversário apoiou Miguel Coelho no primeiro turno de 2022
por Jamildo Melo
Publicado em 09/09/2026, às 10h52 - Atualizado às 11h14
Eduardo da Fonte rebateu, no PodJá, o discurso de Mendonça Filho sobre sua proximidade histórica com Raquel Lyra.
Dudu lembrou que Mendonça apoiou Miguel Coelho no primeiro turno de 2022 e só aderiu a Raquel no segundo turno.
A troca de declarações expõe a disputa entre os candidatos ao Senado por uma parcela do eleitorado da governadora.
A disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado ganhou um capítulo particular entre Eduardo da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL): quem pode reivindicar maior proximidade política com a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).
Em entrevistas ao PodJá, o podcast do Jamildo.com, os dois candidatos apresentaram versões diferentes sobre suas trajetórias até chegar ao atual campo político da governadora.
Mendonça afirmou que esteve ao lado de Raquel desde o segundo turno da eleição de 2022 e sustentou que permaneceu próximo à governadora inclusive durante a fase mais difícil da gestão, quando ela enfrentava problemas de avaliação e de articulação política.
O candidato do PL aproveitou o argumento para criticar, sem concentrar o ataque em um único adversário, políticos que teriam se aproximado da governadora somente depois da recuperação de sua popularidade.
“Quando veio o reconhecimento, os gatos de hotel se movimentaram na direção de dizer que iam acompanhar Raquel. Mas eu estava lá. Eu era uma pessoa presente, ao lado dela”, afirmou Mendonça no PodJá.
O ex-ministro foi além e disse acreditar ser o “senador do coração” de Raquel, embora dispute a eleição como candidato avulso. Os candidatos oficialmente registrados na chapa da governadora ao Senado são Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha (PSD).
Também entrevistado pelo PodJá, Eduardo da Fonte contestou a tentativa de Mendonça de estabelecer uma diferença entre os dois com base na antiguidade do apoio à governadora.
Dudu lembrou que, no primeiro turno da eleição de 2022, Mendonça estava no palanque de Miguel Coelho, então candidato ao Governo de Pernambuco. O apoio a Raquel veio apenas no segundo turno — segundo ele, exatamente como ocorreu com o próprio PP.
“Ele apoiou no segundo turno igual a mim. No primeiro turno, ele estava com Miguel Coelho”, rebateu Eduardo da Fonte.
A declaração expõe uma das peculiaridades da eleição para o Senado em Pernambuco. Mendonça apoia a reeleição de Raquel, mas não integra formalmente a chapa da governadora. Dudu, por sua vez, ocupa uma das duas vagas oficiais para o Senado na coligação governista.
A referência de Dudu a Miguel Coelho não é apenas retrospectiva. O ex-prefeito de Petrolina continua politicamente ligado aos dois candidatos.
Mendonça manteve a relação construída com o grupo Coelho e iniciou sua campanha ao Senado em Petrolina em um ato que reuniu Raquel Lyra, Fernando Bezerra Coelho e Miguel. Na ocasião, Miguel destacou publicamente a relação política com Mendonça desde a eleição estadual de 2022.
Ao mesmo tempo, o grupo de Miguel fechou composição política com Eduardo da Fonte. O ex-prefeito passou a disputar uma vaga de deputado federal e indicou Carlos Britto para a primeira suplência de Dudu.
O resultado é uma configuração incomum: Miguel mantém relação política com Mendonça, mas seu grupo também participa diretamente da candidatura de Eduardo da Fonte.
O embate entre Dudu e Mendonça tem um objetivo eleitoral concreto. Os dois tentam conquistar parte do eleitorado que apoia Raquel Lyra, ao mesmo tempo em que disputam segmentos conservadores.
Mendonça procura combinar o apoio à governadora com uma candidatura identificada nacionalmente com o PL e com pautas da direita. Eduardo da Fonte evita nacionalizar sua campanha e concentra o discurso em sua atuação parlamentar, emendas e entregas nos municípios.
A disputa já chegou à Justiça Eleitoral. A coligação de Raquel, que tem Dudu e Túlio como candidatos oficiais ao Senado, questionou peças de propaganda de Mendonça que poderiam transmitir ao eleitor a impressão de que ele também teria o apoio formal da governadora.
Assim, a discussão sobre quem estava ou não ao lado de Raquel deixou de ser apenas uma troca de provocações entre adversários. Passou a integrar a estratégia eleitoral de duas candidaturas que procuram votos em áreas parcialmente coincidentes do eleitorado pernambucano.
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