Antes de repercussão sobre Moraes, Eduardo da Fonte criticou uso eleitoral de impeachment no STF

Após repercussão, Eduardo da Fonte rejeitou repudiou qualquer abuso de poder e defendeu mandato no STF. Candidato é convidado do PodJá nesta quarta (02)

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/09/2026, às 09h49 - Atualizado às 11h12

Eduardo da Fonte fala em microfone de podcast
Eduardo da Fonte é o convidado do PodJá desta quarta-feira (02) - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

O deputado federal e candidato ao Senado pela Federação União Progressista, Eduardo da Fonte (PP), afirmou que teria como diferencial na disputa pelo Congresso Nacional sua atuação parlamentar focada em entregas para a população. No PodJá, o parlamentar defendeu as ações da governadora Raquel Lyra (PSD) e rebateu críticas sobre alianças partidárias.

A gravação do programa ocorreu dias antes da divulgação de conversas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio do Banco Master resultou em nova manifestação do candidato, que divulgou nota oficial cobrando a apuração dos fatos e defendendo mandatos fixos para ministros da Suprema Corte.

O episódio completo com Eduardo da Fonte vai ao ar nesta quarta-feira (02), às 14h, no canal do Jamildo.com no YouTube: 

Caso Master e limites para o Judiciário

Durante a entrevista no PodJá, questionado sobre pedidos de impeachment contra integrantes da Suprema Corte, o deputado afirmou que a atuação parlamentar deve seguir os limites da Constituição Federal.

"Nós temos uma Constituição e eu defendo a Constituição. Ela tem que valer para o presidente da República, para o ministro do Supremo, para o senador da República, para o deputado e para aquelas pessoas que estão fazendo a limpeza das nossas cidades. Eu irei votar com a Constituição. Não irei me aproveitar de uma situação eleitoral", declarou no programa.

Dudu deu outra declaração após a  revelação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes. O material indicava contatos entre os dois  sobre operações policiais antes de sua prisão. Em nota divulgada na noite de terça-feira (01) após os novos desdobramentos, Eduardo da Fonte cobrou a investigação rápida das denúncias e defendeu o fim da vitaliciedade no Judiciário.

"O Brasil tomou conhecimento de graves denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, no Caso Master. Não cabe antecipar conclusões, mas é imprescindível que os fatos sejam apurados com transparência e agilidade. Reafirmo minha posição de repúdio a qualquer abuso de poder ou uso indevido de função pública em benefício próprio. Se comprovadas, as acusações devem resultar em responsabilização plena, nos termos da lei. Ninguém está acima da Constituição", manifestou o parlamentar por meio de nota oficial.

No mesmo comunicado, o candidato reforçou a criação de prazos de permanência para os magistrados. "Reitero também a posição que já defendo, de mandato com prazo determinado para ministros do STF e do STJ, como forma de fortalecer o caráter democrático dessas instituições", completou.

Ações na saúde pública e o SUS

No estúdio, Eduardo da Fonte apresentou seu histórico na área da saúde pública como o principal eixo de sua candidatura ao Senado. O deputado listou as emendas que fez para a compra de aceleradores lineares voltados a tratamentos de radioterapia em hospitais filantrópicos e públicos e  a criação do Hospital do Câncer do Sertão do Araripe, em Araripina, projetado para atender pacientes da região sem a necessidade de viagens longas até o Recife.

"Nós temos o maior sistema único de saúde do mundo, que é o SUS. A gente levar um Hospital do Câncer lá para Araripina para evitar que o sertanejo se desloque por 800 quilômetros para vir fazer um tratamento de câncer é um avanço. Provavelmente, nesses próximos 60 dias, as portas da quimioterapia serão abertas", afirmou.

O deputado explicou a proposta que cria o prontuário eletrônico unificado no SUS com o número do CPF, além de defender a expansão do projeto do enfermeiro navegador para orientar os pacientes em unidades públicas.

Resposta a Mendonça Filho e aliança estadual

O candidato também respondeu às declarações feitas no podcast pelo deputado Mendonça Filho (PL), que havia criticado adesões tardias à base governista. Eduardo da Fonte relembrou que ambos declararam apoio a Raquel Lyra no segundo turno de 2022.

"Ele apoiou no segundo turno igual a mim. No primeiro turno, ele estava com Miguel Coelho. O que a gente precisa aí é ter muita tranquilidade. Nós precisamos mostrar aquilo que nós realizamos. Serviço, entregas à população. Não é porque é bom agora escrever com a mão direita que eu vou escrever com a mão esquerda", rebateu.

Eduardo da Fonte garantiu que a Federação União Progressista segue unida com Miguel Coelho e com a chapa governista. Ele citou obras em andamento no estado, como a duplicação da BR-232 e o início da construção do Arco Metropolitano.

Segurança, trabalho e redes sociais

O candidato defendeu a redução da maioridade penal para autores de crimes violentos. Segundo ele, a legislação precisa punir a gravidade do ato, sem atenuantes automáticos baseados apenas na idade do infrator.

"O crime não tem idade. Tem que ser punido e não pode sair porque completou 18 anos. Quem tem que definir a pena é o crime, não a idade. Eu vou votar para que a gente possa sim reduzir", pontuou.

Eduardo da Fonte confirmou apoio à Proposta de Emenda à Constituição que pede o fim da escala de trabalho 6x1. Ele relembrou sua posição contrária à reforma trabalhista de 2017 e defendeu a regulamentação do uso da internet para menores de 14 anos, além do controle rígido sobre propagandas de empresas de apostas virtuais.