Marília Arraes aponta machismo em questionamento de candidatura ao Senado; rivais citam partido como impasse

Apesar de ter os melhores números nas pesquisas em que aparece, Marília Arraes diz que é desconsiderada por nomes da política

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 10/02/2026, às 07h36 - Atualizado às 08h20

Marília Arraes segura uma bola enquanto usa camisa de time
Marília Arraes defende seu nome ao Senado - Divulgação

Marília Arraes (Solidariedade) aparece com 36% das intenções de voto para o Senado, segundo pesquisa Datafolha.

A ex-deputada afirmou que é desconsiderada por grupos políticos e atribuiu isso a preconceito de gênero.

As declarações foram feitas em meio à disputa pelas duas vagas na chapa de João Campos (PSB) ao Senado.

Humberto Costa (PT) é apontado como nome garantido pela coligação devido ao apoio do PT a Campos.

Resta uma vaga disputada entre Marília Arraes, Miguel Coelho (UB) e Silvio Costa Filho (Republicanos).

Apesar de liderar nas pesquisas, aliados discutem deslocar Marília para a Câmara dos Deputados como puxadora de votos.

O Solidariedade, partido de Marília, tem bancada reduzida (10 deputados com o PRD), o que limita tempo de TV e recursos partidários.

União Brasil (59 deputados) e Republicanos (44) levam vantagem nas negociações.

Em vídeo, Marília afirmou que o “povo de Pernambuco” pede sua candidatura ao Senado.

Aliados de João Campos avaliam que Miguel Coelho pressiona definições e busca compor alianças via União Progressista.

Eduardo da Fonte (PP), dirigente da federação no estado, é peça-chave nas articulações e também cogita disputar o Senado ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD).

Após a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade) aparecer com no mínimo 36% das intenções de voto na Pesquisa Datafolha ao Senado, a política afirmou que grupos políticos a desconsideram no pleito por machismo. 

Sem usar o termo, Marília questionou: "se eu fosse um homem com meu histórico na política e com as intenções de voto que eu tenho, estaria sendo desconsiderada, como eu estou? Se fosse um homem que disputou as duas últimas eleições majoritárias e chegou ao segundo turno e está na liderança das pesquisas na disputa por um cargo importante, estaria sendo desconsiderada, desse jeito?

A fala de Marília ocorre em meio à disputa interna pelas duas vagas na chapa de João Campos (PSB) ao Senado.

Com a posição de Humberto Costa (PT) como condição para o apoio do PT na coligação, restaria apenas uma vaga para Marília, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB) e o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos). 

Apesar dos maiores índices ao Senado, muitos defendem colocar Marília para disputar a Câmara dos Deputados novamente, como uma puxadora de votos para o grupo. Apesar de ainda não assumir a escolha do cargo que tentará na eleição de 2026, Marília já disse ao PodJá- O Podcast do Jamildo, que disputará algo. O Solidariedade também já anunciou seu nome ao Senado. 

Segundo a ex-deputada no vídeo publicado em suas redes sociais seria "o povo de Pernambuco" que estaria pedindo pela sua candidatura ao Senado

Nos bastidores, aliados do prefeito João Campos que defendem outros adversários de Marília Arraes apontam como problema o partido da ex-deputada. O Solidariedade tem uma das menores bancadas na Câmara dos Deputados. Mesmo com a federação junto ao PRD, as legendas unidas formam 10 parlamentares. 

Apenas o União Brasil de Miguel Coelho tem 59 deputados. O Republicanos de Silvio Costa Filho também fica acima, com 44 parlamentares. Essa vantagem garante maior tempo de TV e recursos do Fundo Partidário para coligação, o que seria um peso a se levar em consideração na escolha de um pleiteante ao Senado. 

Mesmo que os grupos afirmem uma posição de união entre os adversários para vaga ao Senado, Marília alfinetou ao dizer que "tem gente sendo candidato de si mesmo e pressionando o candidato a governador que ainda não disse se vai mesmo se candidatar", em referência que poderiam corresponder aos movimentos de Miguel Coelho em relação ao prefeito João Campos

Nos bastidores, grupos consideram que Miguel deseja maior velocidade na composição das chapas. Com o impasse no União Progressista, federação entre União Brasil e Progressistas, Miguel precisa negociar junto ao presidente da federação no estado, o deputado Eduardo da Fonte (PP), o que exigiria uma melhor definição. 

A questão é que Dudu também almeja o Senado, mas ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD). Como o UP tem grande tempo de TV e Fundo Eleitoral, ambos os grupos almejam uma aliança com a federação. Eduardo da Fonte tem a maioria do coletivo em suas mãos, mas não deve desejar um atrito direto com quem deveria ser seu aliado.