Humberto Costa crava apoio do PT para João Campos na eleição de 2026

Durante entrevista, Humberto Costa elogiou Raquel Lyra, mas afirmou que apoio do PT estará com o prefeito João Campos na eleição pelo Governo de Pernambuco

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 06/02/2026, às 10h21 - Atualizado às 10h50

Humberto Costa e João Campos conversam e se olham
Humberto Costa afirma que apoio do PT será de João Campos nas eleições de 2026 - Edson Holanda/Prefeitura do Recife

A Declaração: Humberto Costa (PT) afirmou à CNN Brasil que a tendência do partido é apoiar João Campos (PSB) em 2026, apesar da boa relação com Raquel Lyra.

A Visita: A fala antecede a chegada de Lula a Pernambuco para o Galo da Madrugada, a convite do prefeito do Recife.

O Contexto: O PT viveu divergências internas, com Carlos Veras cobrando apoio de Raquel a Lula e João Paulo defendendo palanque triplo, tese rejeitada pela ala pró-PSB.

O Cenário: Pesquisa Datafolha mostra Lula vencendo com folga em PE (55% contra Tarcísio), reforçando seu peso como cabo eleitoral.

A Governadora: Raquel Lyra mantém discurso de parceria administrativa e evita antecipar o debate eleitoral.

Após impasses no PT e pressão de lideranças para que a governadora Raquel Lyra (PSD) declarasse apoio à reeleição do presidente Lula (PT), o senador Humberto Costa (PT) afirmou que os petistas estarão com o prefeito João Campos (PSB). 

O senador falou sobre o tema em entrevista com a CNN Brasil na quinta-feira (05).

"Temos uma boa relação com a Raquel Lyra, que é boa gestora, mas também temos uma relação histórica com o PSB. A tendência é estarmos com João Campos", declarou Humberto Costa.

A fala do senador ocorre em um momento de articulação política no estado. O presidente Lula (PT) desembarca no Recife na próxima semana para acompanhar o Galo da Madrugada, a convite de João Campos. 

Apesar da preferência por João Campos no plano estadual, Humberto Costa garantiu que o PSD, partido de Raquel Lyra, estará no palanque de Lula em nível regional. "O PSD no Nordeste vai estar majoritariamente com Lula", assegurou o senador.

Mesmo com as pressões, Raquel Lyra mantém o discurso de parceria administrativa, mas sem endosso claro.

Em evento no Porto de Suape na semana passada, a governadora agradeceu os investimentos federais e evitou antecipar o debate eleitoral. "Não é o momento de eleição, é o momento de trabalhar. As alianças serão apresentadas no processo eleitoral", disse a gestora.

Divergências no PT

A posição de Humberto Costa busca pacificar o diretório estadual e colocar como certo o posicionamento do PT após tentativas de aproximação com a governadora. 

Nos últimos dias, o deputado federal Carlos Veras (PT), presidente da sigla em Pernambuco, cobrou publicamente que Raquel Lyra declarasse apoio à reeleição de Lula como condição para qualquer diálogo.

"Tenho dito que, se ela quer continuar sendo governadora, é melhor governar Pernambuco com Lula presidente. Então é bom que ela também nos ajude a elegê-lo", afirmou Veras em entrevista.

Outros nomes como o deputado estadual João Paulo (PT) defendiam uma estratégia de "palanque triplo", que incluiria João Campos, Raquel Lyra e o pré-candidato do PSOL, Ivan Moraes.

A tese enfrentou resistência de alas mais alinhadas ao socialista no partido. O secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury (PT), classificou a ideia como um "erro político grave" e defendeu a aliança preferencial com o PSB.

Após as tensões partidárias, Veras confirmou que o partido teria apenas um palanque em Pernambuco com o máximo de unidade política possível. 

Pernambuco é reduto de Lula

A importância do apoio de Lula vem do apoio do presidente no estado.

O levantamento Datafolha divulgado nesta sexta-feira (6) mostra que Lula mantém força eleitoral em Pernambuco, vencendo com folga em todos os cenários presidenciais. O petista teria 55% dos votos contra 14% de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e 54% contra 25% de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

O histórico recente indica que nem sempre a popularidade de Lula garante a vitória do seu candidato ao governo. Em 2022, o presidente apoiou Danilo Cabral (PSB) no primeiro turno e Marília Arraes (Solidariedade) no segundo, mas Raquel Lyra venceu a eleição unindo votos de bolsonaristas e lulistas.