Óficio assinado por Felipe Monteiro Costa confirma que investigação contra secretário de João Campos não gerou inquérito, BO ou notificação ao Judiciário
por Cynara Maíra
Publicado em 06/02/2026, às 08h54 - Atualizado às 09h08
A Admissão: A Polícia Civil confirmou em ofício que a operação "Nova Missão" não teve registro de BO, inquérito ou cadastro no sistema eletrônico.
A Origem: A denúncia foi recebida em envelope físico e não foi protocolada oficialmente nos sistemas da corporação.
A Justiça: A polícia confirmou que não comunicou o Judiciário sobre o monitoramento, alegando que as técnicas usadas independem de autorização.
A Reação: João Campos criticou a ação como "espionagem" e "uso político". Gilmar Mendes (STF) mandou a PF investigar o caso.
A Defesa: A SDS sustenta que a verificação preliminar é rotina para checar denúncias graves antes de abrir inquérito.
A Polícia Civil de Pernambuco confirmou, em documento oficial, a inexistência de procedimentos formais que amparassem a operação de inteligência batizada de "Nova Missão".
A ação resultou no monitoramento do secretário de Articulação Política do Recife, Gustavo Monteiro, e de seu irmão, Eduardo Monteiro, entre agosto e outubro de 2025.
O ofício, assinado pelo delegado-geral Felipe Monteiro Costa e encaminhado ao escritório de advocacia que representa os monitorados, admite que a corporação não registrou Boletim de Ocorrência (BO) nem instaurou Verificação Preliminar de Informação (VPI).
O documento também reconhece que não houve designação formal de delegado ou agente para o caso, nem abertura de processo administrativo ou criminal sob a alegação de que seria uma ação de segurança da inteligência, que faria uma investigação preliminar das alegações da denúncia.
Segundo a Polícia Civil, a denúncia que motivou a ação chegou de forma anônima em um envelope físico e não foi protocolada nos sistemas eletrônicos da corporação, como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
A instituição alega que a equipe atuou no exercício de atribuições regimentais da Diretoria de Inteligência (Dintel) e que a investigação não foi comunicada à Justiça "dada a natureza das técnicas empregadas, as quais independem de autorização judicial".
O caso ganhou visibilidade após reportagens revelarem o uso de rastreadores no carro utilizado pelo secretário municipal. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou o episódio como "espionagem indevida" e comparou a ação a métodos autoritários.
"Se eu acordasse de manhã bem cedo e dedicasse a minha energia a estar perseguindo as pessoas, a estar rastreando de forma ilegal o adversário, eu não estaria aqui hoje inaugurando creche", declarou Campos na quarta-feira (4).
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigue o caso. No despacho, o magistrado apontou indícios de uma possível "operação clandestina" e destacou que o uso de vigilância sem controle judicial afronta princípios constitucionais.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) defende a legalidade da atuação. O secretário Alessandro Carvalho afirmou, logo após a divulgação do caso, que a apuração preliminar visava checar uma denúncia de suposto recebimento de propina.
"Uma situação dessa você não pode ignorar, nem você pode instaurar inquérito de imediato: você tem que checar", explicou Carvalho na ocasião. A pasta sustenta que a "missão de inteligência" foi encerrada sem a confirmação de ilícitos e, por isso, não gerou relatório final formal.
O Jamildo.com procurou as assessorias de imprensa da Secretaria de Defesa Social (SDS) e da Polícia Civil sobre o novo ofício. Caso haja um retorno sobre o tema, a matéria será atualizada.