EXCLUSIVO: secretário e presidente de SUAPE batem de frente sobre contrato

Secretário da Casa Civil tentou fazer a paz entre secretário e presidente de SUAPE, dois nomes importantes do governo Raquel Lyra, sem sucesso

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 06/02/2026, às 07h38 - Atualizado às 07h46

Imagem do polo automotivo de Suape,  um dos principais hubs logísticos do Nordeste
Suape é um dos principais hubs logísticos do Nordeste - Divulgação

Uma divergência interna na gestão Raquel Lyra envolve o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, e o presidente do Porto de SUAPE, Armando Bisneto.

O conflito gira em torno de um projeto de terminal de regaseificação em Suape, que enfrenta entraves por falta de documentação da empresa interessada.

A tensão se agravou após uma reunião tensa, em dezembro, com a participação do chefe da Casa Civil, Túlio Vilaça, sem acordo entre as partes.

A divergência foi formalizada por troca de ofícios, com acusações de invasão de competências e respostas irônicas por parte da estatal.

Sem decisão final do Governo, o caso pode parar no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, segundo informações de bastidores.

Sem alarde, uma divergência entre dois nomes importantes da gestão Raquel Lyra (PSD) tem chamado a atenção nos bastidores do Governo do Estado.

Os nomes em divergência são o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, e o presidente do Porto de SUAPE, Armando Bisneto.

Os dois cargos são de livre nomeação da governadora Raquel Lyra (PSD), sendo que a estatal Porto de SUAPE é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Em gestões anteriores, o secretário de ocasião chegava a acumular a pasta com a presidência da estatal.

O embate se deu por causa de uma empresa que planeja a implantação de um "terminal de regaseificação" em SUAPE. A empresa já tem um "Contrato de Uso Temporário" e pretende expandir suas operações.

Acontece que o Porto de SUAPE apontou uma falta de documentação da empresa interessada. A controvérsia vinha desde o ano passado, não parando nem mesmo nas festas de fim de ano.

Uma reunião tensa, por telefone, foi realizada em 26 de dezembro, entre Guilherme Cavalcanti, Armando Bisneto e o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça.

Segundo fontes no Governo, Túlio entrou para tentar diminuir a temperatura entre os dois, mas não obteve sucesso, mesmo após ao Natal.

A reunião não terminou bem, segundo fontes no Governo. Guilherme Cavalcanti e Armando Bisneto resolveram então registrar por escrito a divergência.

Colocar a briga no papel começou com Guilherme Cavalcanti, no ofício 2/2026, de 6 de janeiro, assim que o secretário voltou do recesso.

Guilherme lembrou a Armando Bisneto as competências legais de sua Secretaria e da Casa Civil, dizendo que chamava "atenção para os pontos deliberados na aludida reunião e para as definições futuras ligadas ao tema".

"A implantação de um terminal de regaseificação no Porto de Suape integra a estratégia de desenvolvimento econômico e, mais especificamente, a estratégia do setor energético de Pernambuco", registrou o secretário Guilherme Cavalcanti, no documento.

A resposta de Armando Bisneto, também por escrito, foi a altura.

Armando já começou colocando em dúvida informações de Guilherme Cavalcanti sobre a reunião de 26 de dezembro, da qual só participaram os dois mais Túlio Vilaça, por telefone. Armando chamou algumas colocações de Guilherme de "supostas".

"Cumprimentando-o cordialmente, acusamos o recebimento do Ofício nº 2/2026 – SDEC – GS, no qual Vossa Senhoria suscita informações supostamente veiculadas em reunião realizada no dia 26/12/2025, na qual teriam participado o Secretário da Casa Civil Túlio Vilaça e o Presidente do Porto de Suape, Armando Bisneto", respondeu o presidente da estatal, no ofício 008/2026 – SUAPE, enviado em 13 de janeiro.

Segundo observadores nos bastidores, Armando respondeu por escrito com ironia ao secretário.

"O Porto de Suape agradece as considerações e sugestões delineadas no Ofício nº 2/2026 – SDEC", escreveu Armando.

Segundo o documento, a avaliação de Armando é que as atribuições da estatal podem estar sendo invadidas pela Secretaria.

"A destinação de área no porto público para fins de celebração de Contrato de Uso Temporário (CUT), portanto, insere-se no âmbito das atribuições legais da Autoridade Portuária", destacou Armando.

A estatal diz que pode ser responsabilizada se não proceder conforme a lei.

"O Porto de SUAPE se encontra submetido à fiscalização contínua da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, e que o cumprimento dos prazos e das condições do Contrato de Uso Temporário já foi objeto de questionamentos formais, tanto por aquela Agência Reguladora quanto pelo Conselho de Autoridade Portuária do Porto de SUAPE (CAP-SUAPE). A persistente ausência de documentação por parte da contratada compromete, inclusive, a prestação de informações fidedignas e realistas aos órgãos de controle", respondeu Armando ao secretário.

Segundo SUAPE, as empresas envolvidas no contrato não apresentaram documentos esssenciais, por isso a divergência entre SUAPE e a Secretaria.

"No caso do CUT nº 110/2022, para além das prorrogações já deferidas anteriormente, tem-se observado que vem, de forma reiterada, negando-se a apresentar a documentação mínima exigida pela Autoridade Portuária para a aferição da viabilidade técnica, econômica e operacional da implementação do objeto do Contrato de Uso Temporário", explicou Armando Bisneto.

Armando finalizou sua resposta para Guilherme, segundo informações de bastidores, com nova ironia.

"Nesse sentido, o Porto de SUAPE agradece as recomendações apresentadas", escreveu Armando em resposta por escrito a Guilherme.

Até o fechamento desta matéria, segundo apuração do Jamildo.com, não havia decisão do Governo sobre o pedido da empresa por mais prazo para apresentar as documentações.

Também nos bastidores, o Jamildo.com foi informado que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) deverá abrir um processo sobre o caso.

Fica aberto no Jamildo.com o espaço do contraditório para a Casa Civil, a Secretaria e SUAPE, caso queiram acrescentar novas informações sobre a matéria.