Rodrigo Pacheco ganha força para o STF; apoio de David Alcolumbre favorece articulação, mas indicação depende do Senado.
por Jamildo Melo
Publicado em 26/10/2026, às 12h13
A reeleição de Lula fortalece a articulação para indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026
O apoio de Alcolumbre favorece o nome do ex-presidente do Senado, mas a aprovação exige pelo menos 41 votos
O movimento ocorre após uma vitória presidencial sustentada pelo Nordeste e pela virada em Minas Gerais
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fortalece a articulação para levar Rodrigo Pacheco, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-presidente do Senado, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Folha de S.Paulo, Lula pretende acelerar a indicação, que poderá ocorrer ainda em 2026, antes da posse dos novos senadores. Pacheco tem o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), principal defensor de seu nome para o Supremo. A movimentação, porém, ainda não equivale a uma nomeação formal.
A articulação ocorre depois de uma eleição em que o Nordeste e a virada em Minas Gerais ajudaram a assegurar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).
No resultado nacional, o petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. Em Minas, Lula reverteu a desvantagem do primeiro turno e venceu a disputa presidencial.
A passagem de Pacheco pela presidência do Senado e o apoio de Alcolumbre são fatores favoráveis à eventual aprovação. A tentativa de concluir o processo antes da renovação da Casa busca reduzir o risco de resistência entre os parlamentares eleitos, mais alinhados à direita.
Esse cenário permite falar em condições políticas favoráveis, mas não em aprovação garantida. Para chegar ao STF, o indicado precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e obter pelo menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado.
Pacheco assumiu uma cadeira no TCU em 30 de setembro. Sua eventual transferência para o Supremo também abriria uma negociação sobre a sucessão no tribunal de contas.
O Nordeste teve papel decisivo na reeleição: Lula venceu nos nove estados da região e acumulou uma vantagem de aproximadamente 13,7 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.
Minas Gerais foi o único estado do Sudeste em que o petista venceu. Lula obteve 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio, uma diferença de cerca de 109 mil votos. A vitória mineira contribuiu para o resultado nacional, embora o maior saldo eleitoral tenha vindo do Nordeste.
Pacheco construiu sua trajetória política em Minas, estado pelo qual foi deputado federal e senador. Nasceu em Porto Velho, em Rondônia, mas cresceu em Passos, no Sul mineiro.
Assim como André Janones, deputado com base eleitoral em Minas Gerais, Pacheco integra o conjunto de lideranças ligadas ao estado que aparecem nas discussões sobre o cenário político após a eleição. O resultado das urnas, entretanto, não permite atribuir individualmente a qualquer liderança a vitória de Lula em Minas.