Deputado federal André Janones comandou o “Exército do Lula” no WhatsApp e recebeu agradecimento público do presidente após a reeleição neste domingo
por Jamildo Melo
Publicado em 26/10/2026, às 11h29
André Janones ganhou protagonismo na campanha de Lula com um canal de mais de 10 milhões de seguidores no WhatsApp
O deputado avançou sobre um espaço ocupado pela comunicação petista e recebeu reconhecimento do presidente reeleito
A influência na montagem do novo governo, porém, ainda não se traduziu em anúncio de cargo ministerial
O deputado federal André Janones (Rede-MG) sai da eleição presidencial de 2026 com reconhecimento público de Lula e uma estrutura de mobilização digital que ultrapassou 10 milhões de seguidores no WhatsApp. Responsável pelo canal “Exército do Lula”, o parlamentar foi chamado de “general” pelo presidente durante a comemoração da vitória.
Esse reconhecimento coloca em discussão o espaço de Janones no próximo mandato. Na live da apuração no nosso Canal no Youtube, no domingo, o cientista político Lucas Tiné defendeu a demissão do marqueteiro de Lula e a nomeação de Janones como ministro da comunicação.
Até a apuração desta reportagem, porém, as fontes consultadas não apresentavam confirmação de que o deputado será ministro nem indicação de qual pasta poderia ocupar.
Lula foi reeleito neste domingo (25) com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A atuação de Janones ganhou força depois do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro. Segundo reportagem do UOL, o deputado havia ficado à margem da campanha petista e tomou a iniciativa de ampliar a mobilização digital na segunda etapa da disputa.
O avanço ocorreu em meio a críticas internas à comunicação comandada por Sidônio Palmeira e pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. A mesma reportagem registra que Edinho inicialmente classificou a iniciativa de Janones como autônoma e, na reta final, participou de uma transmissão para parabenizar o parlamentar.
A expressão de que Janones “atropelou” a estratégia petista aparece como interpretação política. Em coluna no GZH, Rosane de Oliveira avaliou que o deputado se sobrepôs à estratégia de Sidônio e teve papel decisivo na vitória.
O canal chegou a 10 milhões de seguidores na sexta-feira (23), dois dias antes da votação. O Poder360 registrou que a marca anterior de 6 milhões havia sido alcançada na terça-feira (20). Na manhã seguinte, o espaço já superava 7 milhões de inscritos.
As convocações incluíam compartilhamento de vídeos, produção de memes, publicação de hashtags e pesquisas no Google. Janones também estabelecia metas de adesão e pedia aos participantes que convidassem outras pessoas.
O total de seguidores dimensiona a audiência potencial do canal. Não permite, isoladamente, saber quantos participantes cumpriram as tarefas, mudaram de voto ou convenceram outros eleitores.
Pela mesma razão, chamar os inscritos de “soldados” reproduz a linguagem política da mobilização, sem significar que todos atuaram efetivamente na campanha.
Na véspera do segundo turno, Janones demonstrou confiança na vitória durante a “Live da Virada”, transmitida no perfil de Lula no YouTube. Ele afirmou que esperava comemorar o resultado na Avenida Paulista. Na mesma transmissão, resumiu sua estratégia: “É rede e rua. Só rede não vence eleição”.
A frase ajuda a contextualizar o papel do WhatsApp: a ferramenta servia à mobilização dos apoiadores, mas o próprio deputado reconhecia a necessidade de atuação fora das plataformas.
Durante a campanha, o canal também foi alvo de questionamentos judiciais. A campanha de Flávio acusou a estrutura de coordenar a divulgação de conteúdos desinformativos e ofensivos. Janones negou as acusações e classificou a suspensão determinada pelo TSE como censura. Alegação da campanha adversária e defesa do deputado devem ser distinguidas de uma conclusão judicial sobre o mérito das acusações.
Depois da vitória, Lula destacou a atuação de Janones e pediu que a rede de apoiadores continuasse mobilizada durante o próximo mandato. “O exército não pode se dispersar. O exército vai ter que continuar”, declarou na Avenida Paulista.
A fala sinaliza interesse do presidente em preservar a estrutura construída na campanha. Não equivale, contudo, a um convite público para integrar o ministério.
O fato confirmado é o reconhecimento de Janones por Lula. A transformação desse protagonismo eleitoral em cargo no primeiro escalão depende de uma decisão que ainda precisa ser anunciada.