Nunes Marques pediu para a equipe técnica checar se há disseminação de informações falsas no canal "Exército de Lula" após corregedor retirar suspensão
por Cynara Maíra
Publicado em 12/10/2026, às 11h41 - Atualizado às 14h00
Nova ofensiva técnica: Kassio Nunes Marques determinou que a equipe de enfrentamento à desinformação do TSE investigue publicações e o alcance do canal "Exército do Lula".
Revogação pelo corregedor: O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva derrubou a suspensão administrativa imposta por Kassio, considerando a medida desproporcional sem provas adicionais.
Conflito no tribunal: Cueva apontou que a campanha do PL protocolou pedido na presidência apenas 41 minutos após despacho da corregedoria, usando documentos de fora do processo original.
Reações políticas: Lula criticou decisões monocráticas da Justiça durante comício em São Paulo, Janones apontou censura e a defesa de Flávio acusou a rede petista de burlar regras eleitorais.
Guerra de canais: A disputa jurídica atinge a principal estratégia digital do segundo turno, opondo a comunidade petista com 3 milhões de membros à recém-criada "Tropa do Flávio".
Atualização: A área técnica do TSE concluiu o relatório sobre o canal "Exército do Lula" e apontou que não encontrou as notícias falsas citadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. Os detalhes do parecer foram adicionados à matéria abaixo.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, solicitou no domingo (11) que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE investigue o conteúdo do canal do WhatsApp "Exército do Lula", do deputado federal André Janones (Rede-MG).
A ação de Nunes ocorre após o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubar também no domingo a decisão de Kassio que suspendeu o canal "Exército do Lula", criado para postar apoios ao candidato à reeleição Lula (PT).
A suspensão ocorreu após solicitação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), a ação do presidenciável também pedia a cassação do mandato de André Janones. O grupo acusa Janones de disseminar notícias falsas e coordenar ataques contra a candidatura do PL.
No novo despacho, Nunes Marques determinou que a unidade técnica informe se o material distribuído no WhatsApp circula em outras redes sociais e se a equipe adotou medidas para monitorar possíveis "riscos à integridade do processo eleitoral".
O magistrado havia determinado a suspensão inicial por entender que o espaço funcionava como vetor de desinformação com alcance a mais de 3 milhões de pessoas, citando publicações sobre redução de aposentadorias e questões religiosas como indicativos de desinformações no espaço.
Na decisão de Villas Bôas Cueva, o corregedor apontou que a campanha de Flávio Bolsonaro acionou a presidência do tribunal apenas 41 minutos após a corregedoria cobrar complementação de provas na ação judicial que já tramitava sobre o mesmo assunto. Cueva destacou que a representação entregue a Kassio incluiu documentos que não constavam no processo principal.
"A liberdade de expressão não constitui obstáculo à repressão de ilícitos eleitorais. Por outro lado, a existência de manifestações ilícitas individualizadas não autoriza, sem demonstração adicional, a restrição de toda a atividade comunicativa desenvolvida em determinado espaço digital", escreveu Cueva ao restabelecer o canal. O ministro proibiu Janones de veicular conteúdos já declarados ilegais pelo tribunal e remeteu a decisão final para o plenário do TSE.
A disputa gerou reações na campanha petista. Durante ato na Avenida Paulista, o presidente Lula questionou a conduta da Corte antes da decisão do corregedor: "Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição". Janones publicou vídeo afirmando que "a censura já começou".
A campanha do PL divulgou notas defendendo a suspensão do espaço digital. Os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que Janones ensinava os integrantes a driblar as salvaguardas da plataforma Meta e reintroduzia conteúdos desmentidos no debate eleitoral.
O canal administrado por Janones saltou de 50 mil para mais de 3 milhões de participantes após o resultado do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.
Para contrapor a rede petista, a campanha do PL lançou a comunidade "Tropa do Flávio", divulgada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários na reta final para a votação de 25 de outubro.