Área técnica do TSE afirma não ter encontrado notícias falsas citadas por Flávio em canal pró-Lula

Após solicitação de Nunes Marques, área técnica do TSE não encontrou no canal "Exército de Lula" as notícias falsas citadas por Flávio Bolsonaro

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 12/10/2026, às 14h10 - Atualizado às 14h32

reprodução canal
reprodução canal

Relatório do TSE: A assessoria contra desinformação não encontrou no canal "Exército do Lula" as notícias falsas denunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro entre 2 e 11 de outubro.

Mensagens apagadas: A equipe técnica registrou que mais de 80 publicações feitas em setembro foram excluídas a partir do dia 7 deste mês.

Alertas técnicos: O parecer apontou riscos no crescimento rápido da base para 3,3 milhões de pessoas, no uso de termos militares e na orientação para inflar algoritmos de redes sociais.

Linguagem: O órgão alertou que o tom de confronto das mensagens contraria a busca por estabilidade no processo eleitoral.

Trâmite no tribunal: O canal segue ativo por decisão do corregedor Villas Bôas Cueva e aguarda julgamento no plenário do TSE.

A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que não encontrou publicações com as notícias falsas apontadas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) no canal de WhatsApp "Exército do Lula", coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

O relatório técnico elaborado a pedido do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, após o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubar a suspensão liminar do canal no domingo (11).

A equipe técnica analisou postagens entre 2 e 11 de outubro. Nesse intervalo, os analistas não localizaram as publicações citadas na representação de Flávio, como afirmações sobre corte do Bolsa Família, redução de aposentadorias ou a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

"Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos", registra a Informação Técnica nº 001/2026, assinada pelo assessor especial Frederico Franco Alvim.

O documento pontua que parte das mensagens postadas em setembro foi apagada a partir do dia 7 de outubro, com mais de 80 conteúdos excluídos antes da checagem, o que limitou a verificação do histórico antigo por fontes abertas.

Alerta sobre escala e engajamento coordenado

Apesar de não constatar as notícias falsas denunciadas no período, a assessoria técnica alertou para o potencial de impacto do canal, que saltou de 55 mil para 3,3 milhões de inscritos em menos de uma semana:

  • Linguagem militarizada: o canal trata os inscritos como "soldados" e distribui tarefas sob o nome de "missões";

  • Manipulação de algoritmos: há orientações diretas para curtir e comentar publicações antes mesmo de assistir aos vídeos, com o objetivo de inflar a relevância das postagens nas plataformas digitais;

  • Textos prontos para disparo: o espaço fornece mensagens padronizadas em primeira pessoa para que os membros apenas copiem e repassem para suas listas de contatos no WhatsApp;

  • Mobilização no X: o grupo combina horários específicos para subir termos aos assuntos mais comentados na rede.

A assessoria apontou preocupação com o formato na reta final do segundo turno. "Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito", diz o parecer. Apesar da preocupação, como se repete o tom de polarização na campanha de Flávio, consideraram apenas como ressalva. 

Disputa jurídica no tribunal

A representação da campanha de Flávio Bolsonaro pede a suspensão definitiva da comunidade digital e a cassação do mandato de Janones. No domingo, Nunes Marques determinou o bloqueio da conta, mas o corregedor Villas Bôas Cueva restabeleceu o funcionamento até a análise definitiva pelo plenário do TSE.

Cueva manteve a proibição de veiculação de conteúdos que já tenham sido declarados falsos pela Justiça Eleitoral. 

Durante ato na Paulista, o presidente Lula e Janones criticaram a ordem inicial de suspensão, chamando a medida de censura. A campanha de Flávio sustenta que a rede petista atua de forma coordenada para espalhar desinformação e burlar os mecanismos de controle do WhatsApp.

TSE