Reeleito, Lula prepara novo governo e Camilo Santana desponta para a Casa Civil

Camilo Santana ganhou espaço na coordenação da campanha de Lula e aparece como favorito para comandar a Casa Civil no próximo mandato

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 26/10/2026, às 10h59

Reeleito com 51,79% dos votos válidos, Lula terá de conciliar a reorganização dos ministérios com as negociações para formar sua base no Congresso.
Reeleito com 51,79% dos votos válidos, Lula terá de conciliar a reorganização dos ministérios com as negociações para formar sua base no Congresso. - Ricardo Stuckert/Presidência

Lula começa a organizar o quarto mandato após vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno

O senador Camilo Santana é apontado como favorito para assumir a Casa Civil, ainda sem anúncio oficial

Ex-governador do Ceará, o petista participou da reorganização da campanha presidencial

Reeleito neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a preparar a passagem para seu quarto mandato com a reorganização da equipe ministerial. Por óbvio, um dos nomes que ganharam força é o do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, cotado para assumir a Casa Civil.

Segundo apuração do jornalista Daniel Rittner, da CNN Brasil, Camilo passou a ser o favorito para a pasta, anteriormente cogitada para Fernando Haddad, que não se elegeu em São Paulo. A possibilidade integra as articulações para o novo governo, mas ainda não representa uma escolha oficialmente anunciada.

A “transição para si” envolve definir quem permanece no primeiro escalão, quais aliados retornam e como distribuir responsabilidades a partir de 2027. Na Casa Civil, o escolhido terá a tarefa de coordenar ações dos ministérios e acompanhar prioridades da Presidência.

Lula venceu com 51,79% dos votos válidos

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

O resultado inverteu a ordem do primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio havia obtido 47,03%, enquanto Lula registrara 45,16%. Segundo a Agência Senado, foi a primeira vez que um candidato à Presidência venceu o segundo turno depois de terminar a primeira votação atrás do adversário.

Camilo ganhou espaço na campanha

Camilo participou da reorganização do comando eleitoral petista no segundo turno, com atuação na articulação política e no contato com a imprensa. Na divisão de tarefas, Rui Costa ficou ligado à agenda do candidato, enquanto Rafael Fonteles participou do aconselhamento na comunicação.

A eventual ida à Casa Civil ampliaria sua responsabilidade no governo federal após a passagem pelo Ministério da Educação. Por enquanto, porém, o fortalecimento político do senador deve ser distinguido de uma nomeação: a definição cabe a Lula.

Como foi a eleição de Camilo no Ceará

Ex-governador do Ceará, Camilo foi eleito senador em 2022, com 3.389.513 votos. A tabela de resultados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, atualizada em julho de 2023, registra 69,80% dos votos válidos.

Na mesma eleição, Elmano de Freitas (PT), apoiado por Camilo, venceu a disputa pelo governo estadual no primeiro turno, com 2.808.300 votos, correspondentes a 54,02% dos válidos. Os resultados ajudam a dimensionar a presença eleitoral do grupo petista no estado.

O que Camilo dizia antes da votação

Antes do segundo turno, Camilo reconheceu dificuldades do governo para se comunicar e compreender as prioridades dos eleitores. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada em 19 de outubro, afirmou: “Acho que nós não conseguimos nos comunicar bem.”

Na mesma entrevista, sustentou que a campanha precisava apresentar Lula como uma alternativa de continuidade com mudanças. Sua mensagem era: “A mudança segura é com Lula.” As declarações expressavam a estratégia eleitoral do senador diante da insatisfação de parte do eleitorado.

Camilo também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, acompanhada de prevenção, educação integral e oportunidades de emprego. Disse que Lula concordava com a proposta e reconheceu que o PT havia evitado o debate sobre segurança pública durante muito tempo.

Composição do governo depende de negociação política

A escolha dos ministros também passa pela construção de apoio parlamentar. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados de Lula defendem espaço para partidos de centro diante de um Congresso eleito mais à direita.

Nesse cenário, Camilo aparece entre os cotados para o núcleo de coordenação do próximo mandato. A disputa por ministérios, entretanto, permanece aberta: ser apontado como favorito não equivale a ter o cargo confirmado.