Lula é reeleito presidente do Brasil após disputa no segundo turno

Lula supera Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2026, sendo reeleito e garantindo quarto mandato como presidente da República

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 25/10/2026, às 18h00 - Atualizado às 21h09

Lula em cima de carro segura na mão de eleitor no chão. Diversas pessoas ao redor, com bandeiras
Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

Lula (PT) superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e conquistou o quarto mandato presidencial.

A vitória representa a primeira virada eleitoral de um candidato no segundo turno presidencial da história recente do país.

O presidente reeleito nasceu em Caetés (PE), presidiu o Brasil de 2003 a 2010 e voltou ao Planalto na eleição de 2022.

A reta final foi marcada pela aprovação da PEC do fim da escala 6x1 e por promessas econômicas focadas no poder de compra da população.

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra permaneceu neutra, e o PT garantiu apoios dissidentes do MDB e do Republicanos.

Com 97% das urnas apuradas, o presidente Lula (PT) está matematicamente reeleito presidente do Brasil, com 51,73% dos votos válidos, contra 48,27% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado garante o quarto mandato presidencial do petista na história do país. A vitória também registra uma virada inédita no segundo turno da Nova República, já que Lula saiu atrás na primeira fase da eleição.

Números da votação

  • Lula (PT): 51,73%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 48,27%

Quem é Lula, presidente reeleito do Brasil

Nascido em Caetés, no Agreste de Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao quarto mandato presidencial na história do Brasil.

Lula iniciou a vida pública como líder sindical dos metalúrgicos no ABC Paulista durante a década de 1970. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores em 1980 e atuou como deputado federal constituinte em 1988.

Após disputar e perder as eleições de 1989, 1994 e 1998, Lula foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006. Retornou ao Palácio do Planalto em 2022, quando derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro no segundo turno.

Na campanha de 2026, o petista apostou na defesa do poder de compra e na ampliação de benefícios sociais. O plano incluiu a redução da jornada de trabalho, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a gratuidade de transporte urbano aos fins de semana.

Como foi o segundo turno das eleições

A etapa final da corrida presidencial começou com desvantagem para Lula, que ficou em segundo lugar no primeiro turno com 45,16% dos votos válidos (53,8 milhões de votos). Flávio Bolsonaro registrou 47,03% (56,1 milhões de votos).

A diferença de 1,87 ponto percentual e os mais de 33 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno levaram as duas campanhas a focar a busca pelos indecisos e abstêmios, além de tentar converter núcleos menos decididos que votaram no adversário.

Flávio conseguiu alianças amplas na região Centro-Sul, recebendo o apoio dos adversários no primeiro turno Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do escritor Augusto Cury (Avante).

Partidos como União Progressista, Podemos, Republicanos e Novo integraram a coligação de Flávio. O MDB registrou a adesão da maioria da direção nacional e de 17 diretórios estaduais à campanha do PL.

Para reagir ao resultado, Lula concentrou forças no Nordeste, onde abriu mais de 11 milhões de votos sobre o concorrente no primeiro turno.

Dentre as legendas que declararam apoio para Flávio, a campanha petista atraiu dissidências no Norte e Nordeste, reunindo dez diretórios regionais do MDB, incluindo a executiva de Pernambuco presidida por Raul Henry, além do Republicanos em Pernambuco, encabeçado pelo ex-ministro de Lula Silvio Costa Filho.

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) manteve neutralidade e não declarou apoio a nenhum dos presidenciáveis.

Com uma governadora neutra, o estado recebeu atos de rua nas semanas finais. A esquerda realizou caminhada do Parque Treze de Maio ao Marco Zero, no Centro do Recife, com a presença de senadores e deputados aliados e manifestações populares em universidades.

A campanha do PL realizou carreata na Avenida Boa Viagem até o Parque Dona Lindu, com participação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). No Sertão, a candidatura de Flávio recebeu o apoio formal do Grupo Coelho em Petrolina.

A coordenação do deputado federal Mendonça Filho apostou em mobilizar polos descentralizados do estado para tentar diminuir a vantagem de Lula no Nordeste.

De olho em indecisos, o Governo Lula aproveitou a pressão popular da eleição para aprovar pautas, como a aprovação do fim da escala 6x1.

O Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1 e fixa a jornada semanal em 40 horas no dia 14 de outubro.

O texto teve voto favorável de Flávio Bolsonaro e Lula compareceu à promulgação da medida no Congresso, que tentou captar novo eleitorado também com propostas como tarifa zero no transporte urbano aos fins de semana e o perdão de dívidas para microempreendedores individuais.

A campanha teve dois debates diretos na televisão, transmitidos pela TV Bandeirantes e pela TV Globo. Os encontros envolveram discussões sobre dívida pública, saúde, custo de alimentos e segurança, além de acusações sobre investigações financeiras e processos judiciais.

O principal ponto de combate da disputa foi as redes sociais. A campanha de Lula acionou o TSE cobrando que a Meta comprovasse isonomia no impulsionamento de conteúdos.

No tribunal, decisões do ministro Kássio Nunes Marques também levaram à suspensão do canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

O canal no WhatsApp mobilizou a militância digital petista para disseminar peças e contornar restrições em plataformas virtuais após a primeira rodada da eleição.

Os últimos levantamentos de intenção de voto divulgados na véspera da votação, como os dados do Datafolha e do PoderData, indicavam empate técnico entre os dois candidatos.