Eleições 2026: Lula e Flávio Bolsonaro disputarão segundo turno na disputa presidencial

Votações para segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro serão no dia 25 de outubro; propagandas eleitorais voltam no dia 9 e terminam no dia 23

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 04/10/2026, às 20h58

Montagem de duas fotos, Lula e Flávio Bolsonaro
Marcelo Camargo/Agência Brasil- Jefferson Rudy/Agência Senado

Com 97% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já confirma que haverá disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) e serão avaliados novamente pelos eleitores brasileiros em 25 de outubro de 2026.

Confirmado o segundo turno, as emissoras de rádio e TV voltarão a veicular propaganda eleitoral gratuita entre os dias 9 e 23 de outubro. Agora, porém, ambos os candidatos terão o mesmo tempo no horário eleitoral gratuito.

Flávio Bolsonaro (PL): 47,45%

Lula (PT): 44,66%

Sobre Lula

Atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único candidato da esquerda com representação política mínima no Congresso Nacional a concorrer nessa disputa presidencial. 

O petista, que está no Partido dos Trabalhadores desde a fundação (1980), exerceu mandato como deputado federal eleito em 1986, tendo participado da elaboração da Constituição Federal de 1988. 

Já na Presidência da República, ele foi eleito em outras três oportunidades (2002, 2006 e 2022), após ter perdido três disputas antes de seu primeiro mandato (1989, 1994 e 1998). 

Além do ambiente político, o meio jurídico também foi um fator presente na vida do petista, mas não como uma área de atuação. Entre 2018 e 2019, Lula ficou preso em Curitiba por 580 dias em razão da Operação Lava Jato e teve anulação de suas condenações e recuperação dos direitos políticos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano de 2021. 

O petista é o único da história do país a exercer três mandatos como presidente, mas não é o que ficou por mais tempo na direção do Brasil. Ao fim de 2026, Lula terá 12 anos à frente da Presidência da República, enquanto Getúlio Vargas ficou no poder por cerca de 18 anos e 6 meses (1930–1945 no Estado Novo {golpe} e 1951–1954 no governo eleito). 

Essa foi a última eleição do presidente, conforme apontado por ele mesmo e por aliados. 

Sobre Flávio Bolsonaro

Filho mais velho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Flávio Nantes Bolsonaro (PL) é o principal nome da direita nacional nesta eleição presidencial. 

Seu histórico político conta com quatro mandatos como deputado estadual do Estado do Rio de Janeiro e um como senador da República, eleito em 2018, quando seu pai foi escolhido presidente. Ele também já disputou mandato no Executivo, para a Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, mas não foi para o segundo turno. 

Antes de chegar ao Partido Liberal, o parlamentar foi quadro do Partido Progressista (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da Frente Liberal (PFL), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Liberal (PSL), Republicanos e Patriota. 

Disputa presidencial

A ausência nos debates foi um fator comum entre as duas candidaturas. Na televisão, foram três ausências. Os candidatos faltaram ao debate da Band, Record TV (cancelado) e TV Globo (cancelado). 

Lula justificou a ausência nos programas por discordar do modelo em que um candidato com mais de 40% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais debate com outros candidatos de menor expressão. Para ele, a lógica do segundo turno, em que os dois candidatos com maior adesão se enfrentam, faz mais sentido. 

Já Flávio Bolsonaro argumentou que não foi aos debates por conta de que seu "verdadeiro adversário" não estaria presente. O senador ainda chegou a confirmar presença no debate da TV Globo, mas anunciou que não iria após decisão do TSE de proibir perguntas direcionadas ao petista e determinar a remoção do púlpito vazio da liderança do PT. 

A desistência do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro ainda coincidiu com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que determinou a participação do candidato Renan Santos (Missão). O anúncio do candidato do PL ocorreu antes da Globo comunicar o cancelamento do debate.

Nas duas semanas que antecederam o primeiro turno das votações, os candidatos estiveram em Pernambuco. 

Lula realizou evento no Centro do Recife, com saída de carreata da Ponte Giratória até o Marco Zero, ao lado dos candidatos João Campos (PSB), Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT).

Na capital, ele anunciou previamente que acabaria com as bets, posicionou-se a favor do fim da escala 6x1 e falou contra o feminicídio, pedindo que o eleitorado, especialmente o feminino, votasse em mulheres para as cadeiras legislativas. O petista ainda rendeu críticas a Flávio Bolsonaro, falando em soberania nacional e criticando o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. 

Flávio Bolsonaro, por sua vez, dedicou a vinda a prestar apoio ao candidato ao então Senado Mendonça Filho (PL) e anunciou endosso à eleição do também então candidato ao Senado Carlos Sant'Anna (Novo). 

Em sua passagem pelo Recife, o bolsonarista centrou o discurso nas pautas de segurança pública e em críticas ao STF, além de afirmar que não apoiaria nenhum candidato ao governo.