Debate da Globo: Flávio Bolsonaro e Lula trocam ataques pessoais e debatem economia em último confronto

Lula e Flávio Bolsonaro discutiram custo de vida e segurança em debate na TV Globo, que contou com troca de ofensas pessoais a dois dias da votação

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 24/10/2026, às 10h55

Flávio Bolsonaro, César Tralli e Lula lado a lado
Fernando Frazão/Agência Brasil

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram do último debate antes da votação do segundo turno na TV Globo nesta sexta-feira (23).

O encontro registrou trocas de ataques pessoais, com menções ao termo nove dedos e acusações mútuas de ligação com milícias.

Flávio Bolsonaro focou as críticas na inflação dos alimentos, na dívida pública e no endividamento das famílias brasileiras.

Lula defendeu os reajustes do salário mínimo acima da inflação, o programa Desenrola e cobrou o adversário sobre o financiamento do SUS.

O último bloco concentrou denúncias cruzadas sobre o caso do Banco Master, a ilha de Angra dos Reis e reuniões durante a pandemia.

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram na noite desta sexta-feira (23) do debate da TV Globo. O encontro marcou o último confronto direto entre os dois candidatos antes da votação do segundo turno, marcada para este domingo (25).

A transmissão ocorreu dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. O programa reuniu discussões sobre economia, saúde e segurança pública, mas trocas de acusações e ataques pessoais entre os postulantes dominaram diversos momentos do debate.

Troca de ofensas pessoais no palco do debate

O primeiro embate mais ríspido ocorreu durante a discussão sobre o salário mínimo. Flávio Bolsonaro afirmou que o petista concederia benefícios com uma mão e tira com os nove dedos, fazendo alusão ao acidente de trabalho em que Lula perdeu o dedo mínimo aos 17 anos.

Lula reagiu na fala seguinte e chamou o adversário de miliciano. O presidente afirmou que trabalhou como metalúrgico e perdeu o dedo em uma prensa mecânica, dizendo que não aceitaria ser chamado pelo termo por alguém ligado a milícias.

Flávio pediu desculpas pelo comentário sobre o dedo de Lula, mas cobrou que o petista pedisse desculpas pelo aumento da população em situação de rua no país.

A segurança pública também gerou tensão quando Lula citou a morte de Ana Clara, menina de cinco anos assassinada a tiros em 2021. O presidente lembrou que Flávio atuou como advogado de defesa do policial acusado pelo disparo.

Ao responder, Flávio se dirigiu à mãe da menina, presente na plateia, mas cometeu um equívoco e a chamou pelo nome da filha falecida. O senador prestou solidariedade e afirmou ter confiança de que o policial não efetuou o tiro.

Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara, falou para Globo no intervalo do debate, citando que Flávio teria causado o adiamento do juri duas vezes em 2026. 

"Um policial subiu atirando e baleou minha filha dentro de casa, foi comprovado na perícia. Ele (Flávio) conseguiu anular o júri duas vezes só neste ano, com a influência de senador. Ele é um monstro, igual ao monstro que matou a minha filha", disse a mãe da jovem que morreu em 2021, aos cinco anos. 

Embate sobre custo de vida e programas sociais no debate da Globo

No bloco econômico, Flávio Bolsonaro concentrou os questionamentos no aumento do custo de vida e no endividamento das famílias. O candidato do PL afirmou que a população enfrenta dificuldades para comprar alimentos e criticou a cobrança de impostos no país.

Flávio prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação, além de usar a Caixa Econômica Federal para refinanciar dívidas de famílias e empresas com suspensão temporária de pagamentos.

Lula respondeu afirmando que o adversário copiava propostas já em andamento no governo federal. O presidente citou as edições do programa Desenrola e afirmou que enviou medidas ao Congresso para realizar leilões de dívidas com desconto nos bancos.

Na área de saúde, Lula cobrou o adversário sobre declarações de integrantes da campanha do PL que defendiam cortes no Sistema Único de Saúde (SUS). Em resposta, Flávio afirmou que manterá e ampliará os repasses para o SUS, dizendo que cortará gastos com corrupção e burocracia.

Tema livre no debate e acusações sobre Daniel Vorcaro

O quarto bloco funcionou com tema livre e reuniu acusações sobre investigações e casos de repercussão nacional. Lula cobrou explicações de Flávio sobre a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis envolvendo o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz.

Flávio negou qualquer irregularidade na titularidade da propriedade e afirmou que o atleta comprou terras de invasores.

Em seguida, o senador questionou Lula sobre uma suposta garrafa de uísque no valor de R$ 500 mil que teria sido dada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao presidente.

Lula negou ter recebido qualquer bebida e rebateu apontando as ligações financeiras de Vorcaro com a família Bolsonaro.

O petista citou os aportes do banqueiro na cinebiografia de Jair Bolsonaro e relembrou reportagens sobre reuniões com representantes da vacina Covaxin em uma lancha, que teria envolvido o encontro com garotas de programa durante a pandemia. Flávio respondeu que os recursos para o filme passaram pelo Banco Central e não envolveram verba pública.