Exclusivo: crise nacional do PSOL chega em Pernambuco e Jô Cavalcanti questiona critérios do fundo eleitoral

Aliados da vereadora Jô Cavalcanti afirmam que critérios adotados pelo PSOL na distribuição do fundo eleitoral prejudicam sua pré-candidatura à Alepe

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 27/06/2026, às 09h13

Foto: Divulgação
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Crise nacional do PSOL sobre o fundo eleitoral repercute em Pernambuco.

Jô Cavalcanti cobra transparência na distribuição dos recursos.

Aliados afirmam que a vereadora foi preterida na definição do fundo eleitoral.

Debate ocorre após a parlamentar trocar a pré-candidatura ao Senado pela disputa à Alepe.

A discussão nacional no PSOL sobre os critérios de distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ganhou reflexos em Pernambuco e passou a envolver a vereadora do Recife Jô Cavalcanti, única parlamentar da legenda na capital. Aliados da pré-candidata à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) afirmam que a condução da direção partidária na divisão dos recursos representa um processo de "perseguição política" que poderia comprometer sua candidatura em 2026.

O impasse ocorre após Jô desistir da pré-candidatura ao Senado para disputar uma vaga de deputada estadual. Segundo interlocutores da vereadora, a decisão teve como objetivo contribuir para a composição da chapa proporcional do partido e buscar a manutenção de uma representação do PSOL na Alepe. Após a mudança, porém, aliados relatam que houve vazamentos de discussões internas, enfraquecimento da chapa e falta de garantias sobre a estrutura necessária para a campanha.

Em meio ao debate, Jô Cavalcanti defendeu, em contato com o Jamildo.com, que o partido esclareça os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral. Segundo ela, a discussão ultrapassa interesses individuais e envolve transparência na aplicação de recursos públicos.

"Essa discussão não é sobre uma disputa individual por recurso. É sobre transparência, critério e viabilidade política. O fundo eleitoral é público, e o partido precisa explicar quais critérios justificam que a única parlamentar do PSOL em Recife, uma mulher negra e com trajetória popular, não seja tratada como prioridade na construção eleitoral", afirmou.

O grupo político da vereadora também questiona a proposta de distribuição apresentada à parlamentar. De acordo com aliados, o valor destinado à sua campanha seria quatro vezes inferior ao previsto para uma parlamentar do partido em Sergipe, estado com eleitorado proporcionalmente menor. Segundo a revista Veja, a parlamentar receberá R$ 200 mil, enquanto no Sudestes os candidatos receberão valores acima de R$ 1 milhão.

Na avaliação dos apoiadores de Jô Cavalcanti, a definição dos recursos do FEFC deveria considerar critérios objetivos relacionados à viabilidade eleitoral e à estratégia partidária. O grupo sustenta que, da forma como vem sendo conduzido, o fundo estaria sendo utilizado como instrumento de pressão em disputas internas, em vez de cumprir exclusivamente sua finalidade de financiamento das campanhas.

Érika Hilton denunciou o próprio partido

Na terça-feira, a deputada federal Erika Hilton questionou os critérios adotados para o financiamento das campanhas e comparou o valor a ser recebido por ela com a verba prevista para outros nomes, com menos tempo no Congresso ou na federação PSOL-Rede. À coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, a deputada afirmou que se comprometeu a permanecer no PSOL para que a sigla alcançasse a cláusula de barreira e, para isso, teria direito a recursos a mais definidos para uma categoria de puxadores de voto.

Em postagem nas redes sociais, a deputada cita os deputados estaduais Renata Souza (RJ) e Carlos Giannazi (SP) e o vereador Rick Azevedo (RJ) — que receberá R$ 900 mil, como outros vereadores que vão concorrer à Câmara dos Deputados — como outros parlamentares que estariam insatisfeitos com a gestão.

A parlamentar também afirmou que foi informada por aliados de que a executiva nacional apresentou uma planilha que não a teria incluído na faixa combinada e que não teve acesso ao documento.

Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, disse.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), que participa da mesma corrente de Jô Cavalcanti dentro do PSOL, defendeu a correligionária  meio à crise interna no partido.

A manifestação pública de Erika ocorre três semanas antes da reunião da Executiva Nacional do PSOL que, em 18 de julho, baterá o martelo sobre a divisão de recursos. Boulos disse à CNN Brasil que não tem acompanhado os debates internos, mas deu razão à deputada federal.

"Neste caso, em particular, eu acho que a deputada Erika Hilton, minha companheira, tem muita razão. É natural que ela faça cobrança de que uma candidatura como a dela, que é de puxadora de voto, seja valorizada pelo partido, assim como outras" declarou.