Crise na federação PSOL/Rede atinge Jô Cavalcanti, que nega saída e admite debate sobre chapa

Assessoria de Jô Cavalcanti negou retirada de candidatura ao Senado mas admite que há discussões sobre candidaturas do PSOL/Rede. Grupo está dividido

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 05/05/2026, às 09h41 - Atualizado às 12h21

Grupos da Federação teriam questionado o nome de Jô Cavalcanti e de Ivan Moraes
Grupos da Federação teriam questionado o nome de Jô Cavalcanti e de Ivan Moraes

Apesar dos rumores de que a vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL) retiraria sua pré-candidatura ao Senado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a equipe da psolista negou que uma decisão tenha sido tomada.

O debate interno ocorreu em reunião da federação PSOL/Rede na noite de segunda-feira (04), na sede do diretório estadual, no Recife. Fontes avaliaram ao Jamildo.com que houve tensão no encontro e que a divulgação sobre os rumores de saída de Jô Cavalcanti do Senado seria uma retaliação após divergências entre alas diferentes dos partidos.

O impasse seria entre os diferentes grupos que compõem a federação, até mesmo dentro das siglas. Uma parte do PSOL/Rede estaria mais interessada em fortalecer postos que o grupo já ocupara, como uma vaga na Alepe, perdida pós a deputada Dani Portela se filiar ao PT. Como Jô já esteve na Alepe, alguns consideram que seu nome teria maior facilidade de ser eleito. 

Em nota enviada ao Jamildo.com, a assessoria de Jô Cavalcanti informou que a construção da chapa busca a competitividade para manter a vaga da federação na Alepe e o fortalecimento do palanque do presidente Lula (PT). Jô negou a retirada e admitiu apenas a discussão interna de possibilidades.

Interlocutores afirmam que um desejo de saída de Jô Cavalcanti na disputa ao Senado e até um questionamento sobre o nome de Ivan Moraes (PSOL) ao Governo de Pernambuco seria a intenção de grupos da federação mais alinhados com o ex-correligionário Túlio Gadelha.

O deputado federal saiu da Rede em março para disputar uma vaga ao Senado pelo PSD, na chapa da governadora Raquel Lyra

Sobre o questionamento da candidatura de Ivan levantado entre alguns nomes da federação, o PSOL publicou uma nota em defesa do ex-vereador e citou que o político tem o consenso do grupo. 

A situação também estaria vinculada com  Paulo Rubem Santiago e Alice Gabino, que desejam se candidatar  ao Senado. Do mesmo partido, mas de grupos diferentes dentro da legenda, Paulo Rubem seria mais próximo do grupo de Túlio e da direção; Alice estaria na ala "Rede pela Base". 

Procurado pelo Jamildo.com, Paulo Rubem Santiago negou a existência de candidaturas rivais na legenda.

O político afirmou que a Rede se reuniu em 9 de abril e definiu o seu nome para a disputa ao Senado. Segundo ele, Alice Gabino apresentou uma proposta alternativa na ocasião, mas o colegiado aprovou a indicação de Paulo Rubem por 9 votos a 2. O ex-deputado explicou que o encontro de segunda-feira serviu para oficializar essa decisão interna perante a federação.

A própria Alice já chegou a chamar Paulo de "candidatura laranja de Túlio Gadelha", ao citar que haveria uma tentativa do aliado de Raquel de manter influência dentro da Rede Sustentabilidade. 

A ex-candidata a vice-prefeita na chapa de Dani moveu um processo disciplinar contra o correligionário por suposta violência política de gênero, após tensões entre os dois pela vaga ao Senado. 

Sobre as críticas de Alice Gabino, Paulo Rubem pontuou que o deputado Túlio Gadelha já deixou o partido e que ele já tinha apresentado seu nome anteriormente. Ele afirmou que Alice é uma filiada da legenda, mas a instância partidária não aprovou o nome dela para a vaga majoritária. Paulo Rubem reforçou que as candidaturas oficiais surgem apenas após o mês de junho e que o grupo deve respeitar as decisões das instâncias partidárias.

Quanto aos questionamentos sobre Ivan Moraes, Paulo Rubem esclareceu que a federação não homologou o nome do ex-vereador apenas em razão do horário avançado da reunião de segunda-feira e que o nome dele já está definido. O ex-deputado federal garantiu que a chapa da federação terá aprovação em breve.

Sobre Jô Cavalcanti, Paulo Rubem considerou o nome da parlamentar importante para a composição do Senado, mas ressaltou que a decisão sobre a retirada ou manutenção da candidatura cabe exclusivamente ao PSOL.

Assim como ocorreu em 2024, quando a federação se dividiu entre os defensores de Dani Portela e de Túlio Gadelha para sair como candidato à Prefeitura do Recife, um grupo teria solicitado na reunião que divergências entre os grupos passassem pelo crivo do diretório nacional. 

Paulo Rubem disse ao Jamildo.com que o acompanhamento ou interferência pela direção nacional da Rede acerca da decisão sobre as candidaturas majoritárias só acontece em estados com mais de 10 milhões de eleitores e que esse não seria o caso de Pernambuco

O único ponto em comum entre os lados seria manter o foco na candidatura de Lula na eleição presidencial, sem apoiar candidatos mais independentes. 

Jô Cavalcanti ocupou uma cadeira na Alepe entre 2019 e 2022, quando foi eleita pelo mandato coletivo Juntas. 

O Jamildo.com deixa o espaço aberto para aqueles que quiserem apresentar outro lado sobre os fatos.