Deputado federal do PL vira réu no STF após desejar morte de Lula

Ministra Carmem Lúcia afastou imunidade parlamentar do deputado, que desejou o mal ao presidente durante sessão da Câmara

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 19/08/2026, às 09h30

Deputado Gilvan da Federal
Defesa diz que não foi avisada e só soube da ação por matérias jornalísticas - Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou, na terça-feira (18), por unanimidade, o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES), por ter desejado a morte do presidente Lula (PT) durante sessão da Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados no dia 8 de abril de 2025. 

O inquérito chegou à Suprema Corte por denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além do "desejo da morte do presidente", o órgão apontou ofensas difundidas pelo parlamentar no ambiente digital, no qual Gilvan teria chamado o petista de "ex-presidiário" e "descondenado", entre outras ofensas. 

“Eu quero mais que o Lula morra, quero que ele vá para o quinto dos infernos, é um direito meu. Não vou dizer que eu vou matar cara, mas eu quero que ele morra, que vá para o quinto dos infernos. Nem o diabo quer o Lula, por isso que ele está vivendo aí. Superou o câncer. Tomara que ele tenha uma taquicardia, porque nem o diabo quer a desgraça desse presidente que está afundando o país. Quero mais que ele morra mesmo", afirmou Gilvan, durante discurso na Câmara.

Carmem Lúcia é a relatora e afastou a aplicação da imunidade parlamentar ao deputado. Segundo ela, a divulgação do conteúdo fora do Congresso desconfigura entendimento do STF sobre imunidade a opiniões, palavras e votos pronunciados dentro da Casa.

Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes acompanharam o raciocínio da jurista. Ex-advogado do presidente, Cristiano Zanin se absteve da votação, devido a serviços já prestados a Lula. 

Em nota, Gilvan da Federal questionou o procedimento do STF, alegando que só teve ciência da ação por conta de vazamentos jornalísticos. Ele também afirmou que o tribunal impôs que sua defesa fosse feita somente em Brasília, "impedindo acesso eletrônico a um processo sigiloso"

A defesa do deputado ainda questionou a dispensa da imunidade parlamentar e destacou que o parlamentar se retratou publicamente após o caso. "Menos de 24 horas após o ocorrido, o Deputado Gilvan subiu à tribuna do Plenário da Câmara para retratar-se pública e espontaneamente quanto a excessos de ordem moral e cristã, afastando categoricamente qualquer dolo de ofensa pessoal", escreveu a defesa. 

"O Gabinete Parlamentar informa que a assessoria jurídica constituída já está adotando todas as providências processuais cabíveis junto ao Supremo Tribunal Federal para arguir a nulidade absoluta do julgamento clandestino, garantir a liberação do acesso eletrônico integral aos autos e restabelecer as garantias constitucionais do mandato legitimamente outorgado pelo povo capixaba", afirmou a equipe do deputado.