Denúncia contra servidor do INCRA aponta suposta negociação de terras quilombolas fora do rito legal. MPF abriu inquérito para apurar procedimento
por Jamildo Melo
Publicado em 19/08/2026, às 08h17 - Atualizado às 08h29
O MPF em Pernambuco abriu inquérito para apurar a conduta de um servidor do Incra suspeito de pressionar lideranças quilombolas de Garanhuns em processos de regularização fundiária.
A investigação envolve denúncias de coação, ameaças, monitoramento de mensagens e possível vazamento de mapas e dados técnicos sigilosos.
O caso chegou ao MPF por representação do Ministério da Igualdade Racial e também é alvo de apuração interna no Incra.
Sem alarde, o Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco abriu um inquérito para investigar suposta conduta de servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Pernambuco.
A apuração tem como foco denúncias de que o servidor supostamente teria incentivado fazendeiros a pressionar lideranças das comunidades quilombolas de Estivas e Estrela, localizadas em Garanhuns, a negociar por fora dos trâmites legais a retirada de terras de seus processos de regularização fundiária.
O caso chegou ao conhecimento do MPF após representação apresentada pelo Ministério da Igualdade Racial, do governo Lula (PT).
Conforme os autos, a postura atribuída ao servidor do INCRA supostamente afronta as normas que regem a titulação de territórios tradicionais, garantidas pela Constituição e pelo Decreto 4.887/2003, as quais determinam a proteção estatal dessas populações contra interferências e pressões externas.
Durante a fase preliminar de instrução, foram colhidos depoimentos de lideranças locais.
Segundo as informações colhidas pelo MPF, as abordagens teriam criado um clima de intimidação e coação, agravado por monitoramento indevido em grupos de mensagens e ameaças diretas de morte contra representantes comunitários da região.
Além das suspeitas de coação, a investigação do MPF apura indícios de vazamento de dados técnicos sigilosos, como mapas das áreas ainda em fase de identificação e delimitação territorial.
Há suspeitas de que essas informações confidenciais tenham sido repassadas a terceiros interessados em inviabilizar o avanço dos processos de demarcação, o que pode configurar suposto desvio de finalidade e violação de sigilo funcional por parte de agentes públicos.
Embora a sede do INCRA em Brasília já tenha encaminhado o episódio para apuração preliminar junto à sua Corregedoria-Geral, o MPF destacou a necessidade de monitorar de perto os desdobramentos administrativos e as ações de segurança adotadas para resguardar a integridade física e territorial das famílias.
A decisão de abrir o inquérito foi formalizada pelo procurador Elton Luiz Freitas Moreira, em 3 de agosto.
Fica aberto o espaço no site Jamildo.com ao INCRA, caso queira apresentar informações ou esclarecimentos adicionais sobre o novo inquérito do MPF.