Câmara do Recife convoca sessão extraordinária para votar recursos sobre arquivamento de CPI do concurso

Sessão extraordinária foi convocada por Romerinho Jatobá após parecer da CLJ rejeitar recurso da oposição contra decisão que arquivou pedido de CPI

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 04/03/2026, às 14h08

Câmera Municipal do Recife
Confira mais detalhes - Foto: Edson Holanda / PCR

Romerinho convocou sessão para votar recursos sobre CPI.

CLJ rejeitou recurso contra o arquivamento do pedido.

Oposição defende que há fatos para investigação.

Caso envolve nomeação em concurso para procurador municipal.

O presidente da Câmara Municipal do Recife, vereador Romerinho Jatobá (PSB), convocou sessão extraordinária para esta quinta-feira (5), às 10h, para que o plenário analise os recursos apresentados pela oposição contra o arquivamento do pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relacionada a concurso público da gestão do prefeito João Campos (PSB).

A convocação ocorre após a Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) emitir parecer contrário a um dos recursos, protocolado pelo vereador Paulo Muniz (PL). O relatório foi apresentado pelo vereador Carlos Muniz (PSB), designado relator pelo presidente do colegiado, Rinaldo Junior (PSB), líder do partido na Casa. O parecer foi aprovado com os votos de Samuel Salazar (MDB), líder do Governo e Gilberto Alves (PRD).

O arquivamento do pedido de CPI foi formalizado na terça-feira (3), com publicação no Diário Oficial. No mesmo dia, parlamentares de oposição apresentaram recurso para tentar reverter a decisão.

Líder da oposição, o vereador Felipe Alecrim (Novo) divulgou nota defendendo a abertura da comissão. “É importante destacar que o conteúdo apresentado no pedido de CPI é idêntico ao que fundamentou o processo de impeachment já protocolado nesta Casa. Trata-se dos mesmos fatos, das mesmas denúncias e dos mesmos elementos que apontam graves indícios de irregularidade e que, por si só, justificam apuração rigorosa”, afirmou.

Segundo ele, “se há matéria suficiente para sustentar um pedido de impeachment, há, com ainda mais razão, fundamento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito”. Alecrim acrescentou que “a CPI não antecipa julgamento, ela investiga”.

Relembre o caso

O pedido de CPI tem como base questionamentos sobre um processo administrativo relacionado ao concurso público realizado em 2022 para o cargo de procurador do município. A controvérsia envolve a nomeação de Lucas Vieira Silva em detrimento de outro candidato classificado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência. O caso ganhou repercussão no fim de 2025.

Ao justificar o arquivamento, Romerinho Jatobá argumentou que o requerimento não atendia ao requisito regimental de “fato determinado”, indispensável para a criação de uma CPI. Ele sustentou que a nomeação foi revogada pelo prefeito sete dias após a publicação, em 30 de dezembro de 2025, e que o ato não produziu efeitos jurídicos.

Na terça-feira, João Campos afirmou que a situação foi resolvida e atribuiu a insistência na CPI a motivações políticas. “O que se tenta fazer é um espetáculo político. As medidas técnicas foram tomadas, inclusive a Câmara já se posicionou de forma técnica, encaminhando para o arquivamento, para não fazer com que seja um palco de espetáculo político, tendo em vista que é um ano eleitoral e tem muita gente que deseja aparecer”, declarou.