Rinaldo Jr afirma ter recebido com surpresa a adesão do petista Osmar Ricardo à CPI na Câmara e cita aliança nacional entre PT e PSB
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 02/03/2026, às 15h00
Líder do PSB comenta assinatura de Osmar Ricardo em CPI.
Rinaldo Jr diz que decisão do PT foi surpresa.
Parlamentar cita aliança nacional entre Lula e João Campos.
PSB afirma que seguirá trâmites regimentais na Câmara.
O líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Câmara do Recife, Rinaldo Júnior, afirmou à reportagem ter recebido com “surpresa” a decisão do vereador Osmar Ricardo (PT) de assinar o pedido de abertura de CPI que mira a gestão do prefeito João Campos (PSB).
Em contato com o Jamildo.com, o parlamentar disse que a adesão do presidente municipal do PT ao requerimento chamou atenção pelo contexto da aliança nacional entre petistas e socialistas.
“Vejo com bastante surpresa a última assinatura sendo do companheiro Osmar Ricardo, presidente do PT do Recife, onde o PT tem uma grande relação com o PSB nacionalmente. Isso foi uma surpresa”, declarou.
Segundo ele, a bancada governista tratará o tema dentro dos trâmites regimentais e aguardará os próximos passos formais. “A gente vem com naturalidade regimental e vai esperar a posição do presidente”, afirmou.
Rinaldo Júnior destacou que a participação do dirigente petista ocorre em um cenário de alinhamento entre as duas legendas no plano federal. Ele citou o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao prefeito recifense e a presença de senadores do partido na base aliada.
“Hoje a gente tem um integrante do PT na oposição ao prefeito João Campos. De uma aliança nacional, Lula aliado com João Campos, os senadores do PT aliados, e o presidente do PT municipal tomou a atitude de assinar uma CPI criada pelo PL”, disse.
O pedido de investigação foi protocolado pelo vereador Thiago Medina (PL) e reúne assinaturas de 13 parlamentares. Além do autor e do presidente do PT do Recife, assinaram: Alef Collins (PP), Felipe Alecrim (Novo), Gilson Machado (PL), Fred Ferreira (PL), Davi Muniz (PSD), Eduardo Moura (Novo), Alcides Teixeira (Avante), Paulo Muniz (PL), Agora é Rubem (PSB), Flávia de Nadegi (PV) e Jô Cavalcanti (PSOL).
O requerimento, apresentado pelo vereador Thiago Medina que prevê a apuração da atuação do prefeito João Campos e do procurador-geral do município, Pedro Pontes, na nomeação do candidato Lucas Vieira Silva em concurso público municipal.
De acordo com o documento, a concessão do benefício teria ocorrido em desacordo com pareceres técnicos elaborados por procuradores de carreira. A CPI também pretende examinar possíveis indícios de tráfico de influência e nepotismo transverso, com análise de eventuais vínculos familiares do candidato com integrantes do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Outro ponto sob apuração é a cronologia da nomeação. O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial na noite de 23 de dezembro de 2025. Os parlamentares querem verificar se houve desvio de finalidade, com eventual consolidação de situação jurídica antes de questionamentos judiciais.
No pedido, Medina sustenta que a medida afronta os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, ao mencionar que o candidato havia sido reprovado na ampla concorrência. O texto também registra manifestação contrária da Associação de Procuradores do Município do Recife (APMR) à alteração do resultado do certame.
Após o protocolo, caberá ao presidente da Câmara, Romerinho Jatobá, verificar o cumprimento das exigências formais. Se o requerimento estiver regular, será determinada a publicação do ato de criação da CPI no Diário Oficial do Município. Em caso de inconsistências, o pedido poderá ser arquivado, com possibilidade de recurso ao plenário em até cinco sessões ordinárias, após parecer da Comissão de Legislação e Justiça.
Com a publicação do ato, os líderes partidários terão três dias úteis para indicar representantes, respeitando a proporcionalidade das bancadas. O autor do requerimento tem participação assegurada. O prazo para conclusão dos trabalhos será de até 120 dias, prorrogável uma única vez por mais 60, mediante aprovação do plenário. A comissão poderá atuar inclusive durante o recesso parlamentar e terá poderes para convocar testemunhas e requisitar quebras de sigilo bancário e fiscal, nos termos da legislação.