Após a janela partidária, mudanças nas comissões foram pequenas, mas indicam mudanças na base de Raquel Lyra e manutenção de batedores da oposição
por Cynara Maíra
Publicado em 25/04/2026, às 07h53 - Atualizado às 09h40
Com a resolução do impasse sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) e passada a janela partidária, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) se reorganiza em suas três principais comissões parlamentares (Constituição e Justiça, Finanças e Administração Pública).
Ao lado da oposição, o grupo preferiu manter os seus "batedores" já conhecidos nas comissões, como Diogo Moraes (PSB) e Sileno Guedes (PSB).
Na manhã deste sábado (25), o Diário Oficial do Legislativo publicou os indicados das bancadas na Assembleia para as três comissões. A mudança parece indicar uma melhor vantagem para governadora Raquel Lyra (PSD), que estava com desvantagem na composição anterior das comissões de Justiça e de Finanças, as responsáveis por garantir a passagem dos temas para o plenário.
De 2024 para 2025, a gestão perdeu a presidência dessas comissões para nomes da oposição. Essa mudança trouxe maior dificuldade para gestão em aprovar seus itens, que acabavam mais desacelerados nas comissões do que o interesse de Raquel.
Agora, com o novo mapa partidário, o Palácio do Campo das Princesas conseguiu retomar o controle numérico.
O crescimento do PSD (que saltou de zero para 9 deputados) e do Podemos (que chegou a 7) permitiu que as vagas de siglas que encolheram, como o Solidariedade e o PSOL, fossem redistribuídas para a base aliada. Na prática, o governo sai da minoria nessas comissões para uma hegemonia de 6 contra 3 nos principais colegiados.
Henrique Queiroz Filho indicou:
CCLJ: Claudiano Martins Filho e Adalto Santos (titulares). Kaio Maniçoba e Delegada Gleide Ângelo (suplentes).
Finanças (CFOT): Antonio Coelho e Dannilo Godoy (titulares). Pastor Cleiton Collins e Henrique Queiroz Filho (suplentes).
Administração Pública (CAP): Antonio Coelho e France Hacker (titulares). Adalto Santos e Claudiano Martins Filho (suplentes).
O partido da governadora Raquel Lyra e de sua líder Débora Almeida oficializou os seguintes nomes:
CCLJ: Antônio Moraes e Jarbas Filho (titulares). Socorro Pimentel e Renato Antunes, do Partido Novo, em vaga cedida (suplentes).
Finanças (CFOT): Débora Almeida e William Brigido (titulares). Socorro Pimentel e Romero Sales Filho (suplentes).
Administração Pública (CAP): Izaías Régis (titular). Débora Almeida (suplente).
O bloco de esquerda, sob a liderança de João Paulo manteve os mesmos nomes:
CCLJ: João Paulo (titular). Joaquim Lira (suplente).
Finanças (CFOT): João de Nadegi (titular). Dani Portela (suplente).
Administração Pública (CAP): Joaquim Lira (titular). Doriel Barros (suplente).
A bancada liderada por Luciano Duque definiu as seguintes cadeiras:
CCLJ: Edson Vieira (titular). Wanderson Florêncio (suplente).
Finanças (CFOT): Luciano Duque (titular). Edson Vieira (suplente).
Administração Pública (CAP): Wanderson Florêncio (titular). Jeferson Timóteo (suplente).
Os líderes Sileno Guedes e Diogo Moraes apresentaram as indicações do bloco oposicionista:
CCLJ: Diogo Moraes e Sileno Guedes (titulares). Romero Albuquerque e Eriberto Filho (suplentes).
Finanças (CFOT): Diogo Moraes e Eriberto Filho (titulares). Rodrigo Farias e Sileno Guedes (suplentes).
Administração Pública (CAP): Waldemar Borges (titular). Rodrigo Farias (suplente).
A bancada de direita, sob liderança de Abimael Santos, indicou os seguintes membros:
CCLJ: Coronel Alberto Feitosa (titular). Abimael Santos (suplente).
Finanças (CFOT): Coronel Alberto Feitosa (titular). Abimael Santos (suplente).
Administração Pública (CAP): Nino de Enoque (titular). Coronel Alberto Feitosa (suplente).
Veja o infográfico interativo sobre a mudança de 2025 para 2026 nas comissões:
Filtro obrigatório de todos os projetos, a CCLJ deixa de ter maioria oposicionista. O governo ganha fôlego com as entradas de Jarbas Filho e Claudiano Martins, trazendo mais dificuldade trio de "batedores" da oposição.
Placar: 6 Base vs. 3 Oposição (Antes era 4 x 5).
A comissão do orçamento teve a saída de nomes contrários à governadora (como Dani Portela e Mário Ricardo) para a entrada de líderes diretos da governadora, como Débora Almeida. A manutenção de Antonio Coelho, agora na base, garante estabilidade ao Executivo.
Placar: 6 Base vs. 3 Oposição (Antes era 4 x 4).
Neste colegiado, a oposição ficou restrita a uma única cadeira titular com Waldemar Borges. A base governista colocou nomes que migraram de partido ou que já mantinham alinhamento.
Placar (7 nomes): 6 Base vs. 1 Oposição.
É importante ressaltar que as indicações publicadas no Diário Oficial apenas definem quem ocupa as cadeiras de titulares. O próximo passo regimental é a eleição interna para Presidente e Vice-Presidente de cada comissão.
Com a nova presença majoritária de governistas, a tendência é que o Palácio consiga eleger nomes de maior confiança para ditar o ritmo das pautas. Uma vitória da base nessas eleições internas facilitaria o trâmite de projetos de interesse de Raquel Lyra, evitando que temas fiquem parados por manobras da oposição, como ocorreu durante o impasse da LOA.