Recursos acumulados de fundos como SUS e Fundeb poderão ser incorporados após aprovação da LOA, que restabeleceu margem de remanejamento
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 24/04/2026, às 16h52 - Atualizado às 16h53
Aprovação da LOA libera inclusão de R$ 2,5 bilhões ao orçamento estadual
Valores são oriundos de fundos com saldo de projetos não concluídos
Estado ficou 110 dias sem poder incorporar recursos por falta de orçamento
Medida permite retomar convênios, repasses e execução de políticas públicas
A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), após mais de quatro meses de impasse, permitirá ao governo estadual incorporar cerca de R$ 2,5 bilhões ao orçamento a partir do reconhecimento de recursos acumulados do ano passado. A explicação foi detalhada pelo secretário estadual de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional, Fabrício Marques, ao Jamildo.com.
Segundo o secretário, o orçamento público é elaborado com base na estimativa de receitas para o ano seguinte, em equilíbrio com as despesas previstas. No entanto, há valores que permanecem em conta ao fim de cada exercício, vinculados a fundos específicos e a projetos que não foram integralmente executados dentro do prazo anual.
“Quando se elabora o orçamento, há uma previsão de receita e uma distribuição dessas despesas. Mas existem recursos que ficam em conta de um ano para o outro, vinculados a fundos como SUS, Fundeb e Segurança Pública, referentes a projetos em andamento que precisam ser concluídos”, explicou.
Esses valores, de acordo com Fabrício Marques, não podem ser automaticamente incorporados ao orçamento seguinte sem a vigência da nova LOA. Com o atraso de 110 dias na aprovação da peça orçamentária — que, em condições regulares, ocorre ainda em dezembro —, o Estado ficou impedido de formalizar a inclusão desses recursos no início de 2026.
Com a aprovação do novo texto, que restabeleceu o percentual de 20% para remanejamento orçamentário, o governo passa a ter respaldo legal para reconhecer esses saldos e integrá-los ao orçamento por meio de decreto da governadora Raquel Lyra (PSD).
“Só de recursos que viraram em conta, temos pelo menos R$ 2,5 bilhões a reconhecer. Com a aprovação da lei, esses valores podem ser incorporados e direcionados para a execução de políticas públicas que já estavam em andamento”, afirmou.
O montante refere-se, principalmente, a recursos vinculados a fundos como o Sistema Único de Saúde (SUS), o Fundeb e o Fundo Nacional de Segurança Pública. Esses valores correspondem a etapas não concluídas de programas e projetos iniciados no exercício anterior.
Com a incorporação desses recursos, o orçamento estadual, inicialmente estimado em R$ 60,7 bilhões, poderá alcançar cerca de R$ 63,2 bilhões em 2026.