A janela partidária terminou sexta (03) com mais da metade dos deputados mudando de legenda. Veja as alterações em um infográfico interativo sobre a Alepe
por Cynara Maíra
Publicado em 04/04/2026, às 13h31 - Atualizado às 15h48
O encerramento da janela partidária na última sexta-feira (03) alterou a correlação de forças na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O PSD, partido da governadora Raquel Lyra, e o Podemos, também alinhado à governadora, foram os principais beneficiados pelo período de migrações.
A movimentação garante ao Palácio do Campo das Princesas uma maioria de 35 deputados. A oposição soma 12 parlamentares e outros dois seguem independentes.
Antes do prazo, o PSD não tinha representação na Casa. A legenda agora conta com uma bancada de oito integrantes, segundo a lógica mais centralizada de Raquel também no Legislativo. O Podemos teve mudança semelhante. A sigla saiu do zero para sete cadeiras, com a entrada de parlamentares que antes estavam no Solidariedade e no União Brasil.
A nova configuração deve impactar a composição das comissões permanentes. A ideia da gestão estadual é utilizar o aumento das bancadas governistas para solicitar a redistribuição de vagas em colegiados como a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e a de Administração Pública.
Atualmente, a liderança e maioria dos membros dessas comissões estão com a oposição, o que impõe dificuldades para a tramitação de projetos do Executivo.
Esse contexto foi um dos principais responsáveis pelo aumento nos travamentos de pauta e tensões na Alepe desde o início de 2025, quando todas as principais comissões ficaram no comando da Oposição.
O Jamildo.com preparou um infográfico interativo com as mudanças. Aperte em "Depois" para checar:
A bancada do PSD recebeu os deputados:
No Podemos, ingressaram:
O Progressistas (PP) também registrou crescimento e encerra o período como a maior bancada individual, com 10 deputados. A sigla recebeu France Hacker, Dannilo Godoy, Joel da Harpa e Delegada Gleide Ângelo. A dimensão da legenda dará ainda mais peso para as negociações de apoio à eleição Executiva Estadual, que ainda está em processo de articulação.
Atualização: Romero Albuquerque voltou atrás e decidiu manter a nova filiação ao PSB.
As mudanças também introduziram uma nova sigla. O Partido Novo passou a ter representação na Alepe com a filiação de Renato Antunes, que deixou o PL.
No campo da oposição, o PSB manteve a posição de principal polo adversário com sete parlamentares.
A legenda registrou os retornos de Diogo Moraes e Waldemar Borges, que saíram no ano passado durante a disputa pela CPI da Publicidade. O PT ampliou o grupo para cinco nomes com as chegadas de Dani Portela (ex-PSOL) e João Paulo Costa (ex-PCdoB) para reforçar a base.
Também aliado de João Campos, o deputado Junior Matuto se filiou ao Republicanos.
Ao todo, cinco partidos deixaram de existir na Assembleia após as trocas:
O PSDB perdeu os quatro representantes que possuía;
O Solidariedade viu toda a bancada migrar para o Podemos;
O PSOL e o PCdoB perderam suas únicas cadeiras;
O PRD ficou sem os dois parlamentares que ingressaram na sigla após a fusão entre Patriota e PTB.
Os partidos que ampliaram o tamanho das bancadas podem formalizar o pedido de recálculo das vagas nos colegiados a partir deste dia 4. O regimento interno da Alepe estabelece que a distribuição deve respeitar a proporcionalidade das legendas.
O processo de redistribuição das cadeiras cabe ao presidente da Assembleia, Álvaro Porto (MDB). Ele deixou o PSDB durante a janela para atuar na oposição. Embora os cargos de presidente e vice-presidente das comissões não mudem até o fim do biênio, a recomposição das vagas pode garantir ao governo a maioria necessária para aprovar matérias antes travadas nos colegiados.