Um dia antes de completar 191 anos, a Alepe protagonizou altas tensões entre governistas e oposição. Entraves que dificultam tramitações ocorrem desde 2025
por Cynara Maíra
Publicado em 01/04/2026, às 08h43 - Atualizado às 09h38
Na quarta-feira (1º) a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) completa 191 anos, mas o clima no plenário é de conflito e tensão entre parlamentares adversários e entre o Legislativo e o Executivo.
O estopim para o embate mais recente ocorreu durante a análise da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que se transformou em um ringue de disputa entre o Executivo estadual e a Casa Legislativa.
As tensões também levaram Raquel a não comparecer nem enviar representantes para solenidade em comemoração aos 191 anos da Alepe. A governadora enviou uma mensagem, lida pelo deputado Cleiton Collins (PP).
Durante o evento, Álvaro Porto defendeu a soberania da Casa e disse que "nada nos fará ceder e aceitar intromissões dos que querem um Legislativo submisso, inerte e moldado a interesses que apequenam o nosso papel de representantes legítimos do povo". Álvaro ainda disse que a Alepe vota todos os projetos do Executivo apesar das críticas dos governistas.
Ao longo da sessão, o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (MDB), e o presidente da Comissão de Finanças, Antonio Coelho (União Brasil), trocaram acusações. Recém-chegado na base de Raquel Lyra, Antonio chamou a gestão de Porto de "farsa" e afirmou que o parlamentar presidente apenas a minoria da oposição.
Porto ao declarar que Coelho trabalhou para prejudicar o governo e agora tenta desatar o nó que ele mesmo deu. Antonio foi para o lado de Raquel Lyra após uma negociação entre a gestora e o irmão do deputado, o ex-prefeito Miguel Coelho. Miguel deve ser um dos nomes da governadora para o Senado nesta eleição.
A líder do governo, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), repudiou a postura e afirmou que Porto "rasgou o regimento" na véspera do aniversário da instituição.
Segundo ela, a oposição utiliza artifícios regimentais para travar o andamento do Governo e prejudicar a população. A deputada Débora Almeida (PSD) endossou as críticas e classificou a condução de Porto como uma "ditadura da minoria" que ignora os pedidos dos parlamentares eleitos democraticamente. Para Débora, a Mesa Diretora atua contra as normas para desrespeitar os projetos enviados pela gestão estadual.
O presidente da Comissão de Educação, Renato Antunes (PL), criticou o atraso nas votações e afirmou que a Mesa Diretora utiliza o regimento para fazer blindagem política.
Segundo Antunes, a anulação de pareceres visou proteger aliados do prefeito João Campos (PSB), como o procurador do Recife, Pedro Pontes, que havia sido convocado para prestar esclarecimentos. O parlamentar afirmou que a Alepe caminha para os 200 anos, mas atitudes atuais visam apenas beneficiar uma minoria que trava o remanejamento orçamentário do Estado.
Mesmo com os impasses, os parlamentares mantiveram os vetos da governadora Raquel Lyra (PSD) à LOA por 29 votos a 10. A decisão retira as emendas parlamentares que limitavam os poderes do Executivo na execução orçamentária.
Apesar disso, a base governista sofreu uma derrota ao tentar elevar o limite de remanejamento de 10% para 20%. Socorro Pimentel orientou a saída da bancada governista do plenário em protesto. O gesto fez com que a mesa diretora retirasse o tema da pauta por falta de quórum.
A Alepe também aprovou o reajuste salarial dos professores de 5,4% para a categoria por 41 votos. O acordo entre o governo e o Sintepe estende o benefício a toda a carreira. Durante a Comissão de Finanças, o projeto entrou em discussão apesar de não poder inicialmente ser votado por falta de aval da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ).
Membros da oposição criticaram a manobra de governistas, que iniciaram a reunião da CCLJ sem o presidente Alberto Feitosa (PL), ausente para participar da Comissão de Finanças e que teria adiado a Comissão anterior por um culto de páscoa da Alepe.
A deputada Dani Portela (PT) chamou o gesto de "golpe". Já o deputado Diogo Moraes (PSB) apontou uma suposta hipocrisia de Antonio Coelho, alegando que o presidente da comissão teria feito alteração semelhante ao votar a LOA em uma sala vizinha enquanto a oposição aguardava no local oficial.
No desfecho da votação em Finanças, Alberto Feitosa se absteve na tentativa de cancelar o ato, mas Coelho declarou que a abstenção não constituía voto contrário e aprovou o projeto sob críticas dos adversários.