Após esclarecimentos do Governo de Pernambuco, protestos sobre auxílios para chuvas continuam

Manifestantes voltaram a fechar vias na Região Metropolitana nesta sexta (10). Secretaria de Pernambuco alega que repasses originais já foram quitados

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 10/07/2026, às 11h18 - Atualizado às 11h58

Imagem Após esclarecimentos do Governo de Pernambuco, protestos sobre auxílios para chuvas continuam

Manifestantes fecharam um trecho da Avenida Recife, na altura do bairro do Ipsep, na manhã desta sexta-feira (10).

O grupo ateou fogo em entulhos e interditou a via entre as 6h e as 7h50, o que gerou retenção de fluxo de veículos da área. Essa mobilização está no quarto dia consecutivo com uma série de bloqueios na Região Metropolitana.

Os protestos começaram na última terça-feira (07) com bloqueios nas avenidas Mascarenhas de Morais e Brasil, além de trechos da BR-101.

Nos dias seguintes, os atos avançaram por corredores viários da Zona Oeste, como a BR-232, a Avenida Abdias de Carvalho e a Estrada dos Remédios. Os protestantes cobram o pagamento do Auxílio Pernambuco, um benefício emergencial de parcela única no valor de R$ 2,5 mil criado para cobrir perdas materiais de famílias de baixa renda afetadas pelas fortes chuvas de maio e junho.

A nova onda de interdições ocorre no dia seguinte à divulgação de um balanço da Operação Chuvas pelo Governo do Estado. Em entrevista coletiva realizada na Secretaria de Defesa Social (SDS), a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) tentou esclarecer a situação das transferências financeiras.

A secretária de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas, Andreza Pacheco, afirmou que todas as 3,5 mil famílias inicialmente cadastradas no programa já receberam os recursos, totalizando um repasse de R$ 8,75 milhões.

Andreza Pacheco explicou que as reclamações partem de pessoas que não cumprem as exigências ou que foram incluídas em listas extras enviadas pelas prefeituras além do teto previsto no plano original.

Para ter direito ao auxílio, a legislação exige que a família resida na área afetada de um dos 27 municípios sob decreto de emergência, esteja inscrita no CadÚnico com renda familiar per capita de até meio salário mínimo e possua laudo técnico de danos emitido pela Defesa Civil municipal.

A secretária ressaltou que não há previsão para reabrir cadastros ou estender o benefício pecuniário, e que o foco da pasta é manter outras assistências, como o fornecimento de refeições em cozinhas comunitárias e o repasse de cestas básicas.

O balanço do estado apresentou um investimento de R$ 168,9 milhões em ações emergenciais.

Desse montante, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação aplicou R$ 85 milhões na contratação de patrulhas mecanizadas para desobstrução de estradas e limpeza de rios como o Beberibe e o Tejipió.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PE) destinou R$ 69,76 milhões para conter erosões e desobstruir bueiros em rodovias e a Compesa empregou R$ 3 milhões na manutenção operacional de redes de abastecimento.

O governo também apontou que tem um plano de R$ 2 bilhões em andamento para obras de contenção de encostas, macrodrenagem de canais e construção de quatro barragens contra cheias no interior, com prazos de conclusão previstos entre 2026 e 2027.