Após arquivamento na PGR, Wolney defende modernização da Previdência

Durante o 20º Congresso da Abraji, Wolney defendeu a necessidade de modernizar a instituição e fortalecer o combate a fraudes previdenciárias

Ana Luiza Melo

por Ana Luiza Melo

Publicado em 11/07/2025, às 22h07 - Atualizado às 22h27

Wolney Queiroz, participou nesta semana do 20° Congresso da Abraji, um dos principais eventos do jornalismo investigativo do país. - Foto: Divulgação
Wolney Queiroz, participou nesta semana do 20° Congresso da Abraji, um dos principais eventos do jornalismo investigativo do país. - Foto: Divulgação

O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, participou nesta semana do 20° Congresso da Abraji, um dos principais eventos do jornalismo investigativo do país. A presença ocorreu no mesmo período em que a Procuradoria Geral da República (PGR) arquivou a representação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) contra ele, o ex-ministro Carlos Lupi e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.

Durante o painel mediado pelos jornalistas Basília Rodrigues (Abraji), Breno Pires (revista piauí) e Luiz Vassallo (Metrópoles), Wolney defendeu a necessidade de modernizar o órgão e fortalecer o combate a fraudes previdenciárias.

Nós temos uma responsabilidade com 41 milhões de beneficiários e com mais 60 milhões que contribuem e que esperam se aposentar”, afirmou.

O ministro destacou que está promovendo a reestruturação da ouvidoria do ministério e investindo no setor de inteligência.

Ele revelou, ainda, que vem buscando parcerias com outros ministérios e com o INSS, além de ter se reunido com o Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para reforçar ações conjuntas de prevenção e enfrentamento de fraudes. “Quero fazer uma revolução interna e garantir um ministério moderno”, disse.

A fala ocorre em um momento de tentativa de reposicionamento institucional da pasta após os desgastes provocados por suspeitas de irregularidades na gestão anterior.

A decisão da PGR, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, aponta que não houve "individualização mínima da conduta" dos acusados e que os elementos apresentados por Damares não comprovaram dolo ou autoria individual.

Região Nordeste: uma das mais afetadas pela fraude

A região Nordeste concentrou proporcionalmente as maiores vítimas do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelado pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Segundo auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), 67% dos valores descontados irregularmente recaíram sobre aposentados do meio rural — a maioria residente em áreas remotas do Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia.

Ao todo, 186 municípios brasileiros apresentaram mais da metade dos beneficiários com valores retidos por contribuições associativas, sem comprovação de autorização formal. Em 19 dessas cidades, o índice ultrapassou 60%, com destaque para pequenos municípios do interior nordestino.

O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) iniciou, no dia 26 de maio, a restituição dos valores descontados indevidamente. 

Ao todo, R$ 292 milhões serão reembolsados aos beneficiários, junto com o pagamento regular dos benefícios, que segue até o dia 6 de junho.

No final de abril deste ano, o INSS suspendeu os descontos referentes a mensalidades associativas feitos diretamente na folha de pagamento. No entanto, como a folha de abril já havia sido fechada, os valores foram descontados entre 24 de abril e 8 de maio, mas não repassados às entidades. Agora, os recursos estão sendo devolvidos automaticamente aos segurados, sem necessidade de solicitação.