Alepe começa trabalhos com embate por tempo de fala após manobra da Oposição

Deputados da Oposição criaram tática para reforçar críticas contra Raquel Lyra. Situação gerou briga com governistas na Alepe

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 04/02/2026, às 07h29 - Atualizado às 07h53

Alepe começou oficialmente retomada dos trabalhos com briga
Alepe começou oficialmente retomada dos trabalhos com briga

A Manobra: A Oposição usou "questões de ordem" após citações nominais para dominar o tempo de fala na Alepe e criticar o Governo.

O Conflito: Socorro Pimentel (Governo) reclamou da tática e prometeu revidar. Diogo Moraes (Oposição/Mesa) manteve a decisão.

As Denúncias: Rodrigo Farias questionou repasses de R$ 100 milhões a hospital ligado à família de Priscila Krause. Romero Albuquerque cobrou dados sobre monitoramento policial.

A Defesa: Antônio Moraes alegou que o hospital faturava mais na gestão anterior. Débora Almeida defendeu a legalidade da ação policial.

O Cenário: A sessão marca o retorno dos trabalhos legislativos em meio à polarização entre Raquel Lyra e João Campos.

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou a primeira reunião plenária ordinária do ano na terça-feira (3) com tensão entre as bancadas.

A Oposição utilizou uma manobra regimental para monopolizar o tempo de fala no Pequeno Expediente. O grupo concentrou críticas à governadora Raquel Lyra (PSD) e à vice-governadora Priscila Krause (PSD).

A estratégia consistiu na citação nominal de aliados durante os discursos na tribuna. O Regimento Interno da Casa permite que o deputado citado solicite uma "questão de ordem" para apresentar esclarecimentos.

Parlamentares como Rodrigo Farias (PSB), Romero Albuquerque (União) e Sileno Guedes (PSB) revezaram o uso do microfone através desse mecanismo. A tática impediu que deputados da base governista utilizassem o tempo regular de inscrição.

A líder do Governo, deputada Socorro Pimentel (União), contestou o procedimento. A parlamentar afirmou que os citados falaram sobre assuntos diversos e não sobre o tema da convocação. Socorro classificou a ação como deliberada e ameaçou utilizar o mesmo método nas próximas sessões.

"A partir de amanhã, os nossos liderados vão fazer da mesma forma que foi colocado hoje. Então não vai ter mais grande expediente aqui, porque nós vamos citar muitos deputados", declarou Socorro.

O deputado Diogo Moraes (PSDB) presidiu a sessão na ausência do presidente Álvaro Porto. Moraes rejeitou a reclamação da liderança governista. O tucano alegou que cumpriu o regimento ao conceder a palavra após as citações nominais.

Acusações contra a Vice-Governadora

O deputado Rodrigo Farias utilizou o tempo para reclamar de supostas irregularidades em repasses estaduais para a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A unidade fica em Garanhuns e pertence à família do marido da vice-governadora Priscila Krause.

Farias citou uma ação do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS). Segundo o parlamentar, o hospital recebeu cerca de R$ 100 milhões nos últimos três anos. O deputado apontou um aumento de 42% nos repasses durante o primeiro ano da atual gestão.

O deputado Antônio Moraes (PP) defendeu o governo ao argumentar que o faturamento do hospital era superior durante a gestão do ex-governador Paulo Câmara. Moraes afirmou que as acusações atacam a honra das pessoas sem provas.

Caso de Monitoramento

Em outra questão de ordem, o deputado Romero Albuquerque cobrou explicações sobre o monitoramento de um secretário da Prefeitura do Recife pela Polícia Civil. O caso gerou uma investigação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Albuquerque questionou a origem da ordem para a instalação de rastreador no veículo oficial e a fonte dos recursos para a compra do equipamento.

A deputada Débora Almeida (PSDB) defendeu a gestão estadual. A parlamentar classificou a ação policial como uma diligência técnica preliminar. Débora afirmou que a denúncia tenta transformar procedimentos legítimos em narrativa política.