Metade das 250 creches prometidas por Raquel Lyra serão entregues em 2026, diz Secretário

Secretário afirma que entraves licitatórios atrasaram cronograma, mas governo trabalha para concluir ao menos metade das 250 creches prometidas

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 24/01/2026, às 11h19

Raquel Lyra vistoria creche em Caruaru
Raquel Lyra vistoria creche em Caruaru - Foto: Janaína Pepeu/Secom

Governo dprojeta entregar metade das 250 creches ainda em 2026.

Secretário aponta dificuldades em licitações e execução de obras.

Primeira creche estadual foi entregue em Igarassu, em 2025.

Gestão relaciona expansão das creches à melhoria da alfabetização

Secretário estadual de Educação, Gilson Monteiro afirmou que o Governo de Pernambuco trabalha com a expectativa de entregar ao menos metade das 250 creches previstas no programa estadual ainda em 2026. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Diálogo, da TV Nova, ao tratar do andamento das obras, dos entraves administrativos e da estratégia adotada pela gestão para ampliar a oferta de vagas na educação infantil.

Segundo o secretário, a meta considera dificuldades enfrentadas no início do processo, especialmente na fase de licitação. Ele destacou que atrasos são comuns nesse tipo de procedimento, mas que o objetivo do governo permanece inalterado. “A gente sabe quando começa uma licitação, não sabe quando termina. Mas o objeto se mantém de pé”, afirmou, ao sustentar que a prioridade é a entrega de equipamentos públicos com funcionamento garantido.

Monteiro disse que a iniciativa busca suprir uma lacuna histórica enfrentada pelos municípios, que, segundo ele, não dispõem de capacidade financeira para atender à demanda por creches. De acordo com o secretário, a ausência de vagas na primeira infância impacta diretamente o desempenho dos estudantes que chegam à rede estadual. “Eu recebo os estudantes com uma capacitação inferior ao que deveria receber. Se ele não tem uma creche ou uma pré-escola bem feita, já chega ao ensino fundamental com déficit”, disse.

O secretário afirmou ainda que a governadora Raquel Lyra (PSD) decidiu assumir uma atribuição que tradicionalmente não é do Estado, diante dos efeitos desse gargalo sobre a aprendizagem. “Ela chamou para ela essa situação ao perceber o déficit”, avaliou.

O secretário reconheceu que há atrasos nas entregas e citou que houve substituição de empresas contratadas. Ele citou casos em que vencedoras de licitações não conseguiram iniciar a execução, levando à rescisão contratual. Mesmo com essas limitações, o secretário afirmou que já há unidades em fase final de execução e com inaugurações próximas, citando municípios como Caruaru e São Bento do Una

Ele reiterou que o planejamento do governo segue baseado no total de 250 creches, embora adote uma postura conservadora quanto aos prazos. “Trabalho com a perspectiva de ao menos metade, considerando as nuances técnicas, mas seguimos alinhados com a meta da governadora”, afirmou.

Primeira entrega e críticas da oposição

Primeira creche entregue pela governadora Raquel Lyra
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Após três anos de gestão, o Governo de Pernambuco entregou, em 30 de dezembro, o primeiro Centro de Educação Infantil construído diretamente pelo Estado, no município de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. Com investimento de R$ 5,17 milhões, a Creche Tia Nicinha tem capacidade para atender cerca de 320 crianças em regime de tempo integral e meio período.

Durante a inauguração, Raquel Lyra afirmou que a entrega marca uma mudança na atuação do Estado. “Pela primeira vez, o Estado de Pernambuco se comprometeu a construir e está entregando creches”, disse. Segundo a gestora, o investimento total previsto é de R$ 1,96 bilhão, com a meta de criar 60 mil vagas em creches e pré-escolas.

A demora na entrega das creches foi alvo de críticas da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco ao longo de 2025. Deputados questionaram a viabilidade de cumprir a meta em um curto espaço de tempo. 

Raquel Lyra, por sua vez, atribuiu os atrasos a entraves burocráticos, como estudos de solo, desapropriações e licitações divididas em lotes. “Para quem torce contra, eu digo que vou fazer. E digo mais: que ajude a fazer”, afirmou a governadora, ao defender a fiscalização das obras.