Usina do Grupo João Santos foi alvo de esquema de fraudes envolvendo o Banco Master

Atual diretoria do grupo João Santos tenta recuperar crédito bilionário na Justiça do Estado, oriundo de precatórios, depois aplicações no banco Master

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 20/02/2026, às 18h49 - Atualizado às 19h03

Usina Santa Tereza
Santa Tereza, em Goiana, já foi uma das maiores usinas do Estado - Internet

Uma investigação jornalística revelou os bastidores de um dos maiores prejuízos do Grupo João Santos, envolvendo a Companhia Agroindustrial de Goiana (Usina Santa Tereza) e operações com o Banco Master.

Embora o STF tenha reconhecido, em 2012, um crédito de R$ 983 milhões à usina, os precatórios foram repassados anos depois por menos de 20% do valor original, hoje superior a R$ 1,7 bilhão.

Em 2017, os títulos foram transferidos para fundos administrados por gestoras que passaram a ser investigadas pela Polícia Federal, em meio à crise financeira do grupo.

Dos cerca de R$ 171 milhões pagos pelos fundos, apenas R$ 30 milhões teriam chegado à empresa, sem resolver dívidas ou salários atrasados.

A atual diretoria tenta na Justiça anular as operações, recuperar os precatórios e reverter perdas consideradas essenciais para a reestruturação do grupo.

Sem alarde, a atual diretoria do grupo João Santos ingressou com ações no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para tentar anular as operações com o banco Master, retomar o controle dos precatórios e impedir a liberação dos valores para Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao esquema.

Uma investigação jornalística publicada nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, trouxe à tona os bastidores de um dos maiores prejuízos sofridos pelo Grupo João Santos, antigo gigante industrial do Norte e Nordeste.

A reportagem mostra como a Companhia Agroindustrial de Goiana (CAIG), conhecida como Usina Santa Tereza, acabou inserida em um esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master ao longo da última década.

Segundo a apuração, a usina figurava entre as principais fontes de créditos problemáticos mantidos pela instituição, controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Esses créditos estavam ligados a precatórios avaliados em bilhões de reais.

Em 2012, o Supremo Tribunal Federal reconheceu o direito da CAIG a receber da União cerca de R$ 983 milhões. Anos depois, porém, esses títulos foram repassados de forma irregular por valores muito abaixo do mercado, inferiores a 20% do montante original. Atualmente, o crédito já ultrapassa R$ 1,7 bilhão e chegou a constar nos balanços do banco.

Em 2017, quando a empresa já enfrentava sérias dificuldades financeiras, a então administração do grupo transferiu os precatórios para os fundos Luna, Horizon, Atenas e Dublin, administrados pelas empresas Reag e Sefer Investimentos. Os responsáveis por essas gestoras passaram a ser investigados pela Polícia Federal.

Os fundos teriam desembolsado cerca de R$ 171 milhões pelos títulos. No entanto, apenas aproximadamente R$ 30 milhões entraram efetivamente nas contas da CAIG. A maior parte dos recursos não foi utilizada para quitar dívidas, pagar fornecedores ou regularizar salários atrasados.

A origem do crédito remonta às décadas de 1970 e 1980, período em que o setor sucroalcooleiro foi submetido ao controle estatal de preços pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), durante o regime militar. Essa política provocou perdas financeiras significativas às usinas, que posteriormente recorreram à Justiça em busca de indenização.

Agora, o Grupo João Santos tenta reverter os prejuízos causados por decisões passadas e recuperar um patrimônio considerado essencial para sua reestruturação financeira.

No ano passado, o site Jamildo.com revelou em primeira mão que a Prefeitura do Paulista tinha R$ 3,5 milhões investidos no Banco Master.