Sem acordo com governo Raquel, Sindifisco aprova greve da categoria

Auditores fiscais de Pernambuco aprovam greve após impasse com governo Raquel Lyra. Sindifisco chegou a elogiar a abertura das negociações, sexta

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 24/03/2026, às 15h40 - Atualizado às 15h53

Reunião dos fazendários, no Sindifisco
Assembleia foi realizada nesta manha de terça - Henrique Santos/Sindifisco

O Sindifisco-PE decidiu deflagrar paralisação dos auditores fiscais nos dias 25, 26 e 31 de março e 1º de abril.

A decisão ocorreu após falta de resposta do governo Raquel Lyra às demandas da categoria.

O movimento prevê pausa nos dias 27 e 30 para reorganização e tentativa de diálogo.

O sindicato afirma que as reivindicações não geram custos extras ao Estado e dependem de decisão administrativa.

A entidade critica a falta de diálogo e alerta para riscos à arrecadação e aos investimentos públicos.

O Sindifisco-PE, que representa auditores fiscais e julgadores administrativo-tributários de Pernambuco, decidiu por unanimidade deflagrar paralisação da categoria nos dias 25, 26 e 31 de março e 1º de abril.

A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada nesta terça-feira (24), com participação de cerca de 400 pessoas.

Segundo a entidade, a medida ocorre após a falta de resposta da governadora Raquel Lyra às demandas apresentadas em reunião realizada no último dia 20 de março com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça. O encontro havia sido solicitado pela própria gestora.

De acordo com o sindicato, haverá uma trégua na paralisação nos dias 27 e 30 de março.

O período será utilizado para reorganização do movimento e para abrir espaço a uma eventual retomada do diálogo com o governo.

“Na verdade, mesmo nos dias de paralisação, seguiremos abertos ao diálogo. Paralelamente, criaremos comitês de mobilização que atuarão em cada sede da Secretaria da Fazenda, colocando em debate os passos a serem tomados pela categoria depois da Semana Santa, quando realizaremos nova AGE, na terça-feira (07)”, afirmou o presidente do Sindifisco-PE, Nilo Otaviano, em informe ao site Jamildo.com.

Durante a reunião com o secretário da Casa Civil, a diretoria do sindicato defendeu que a aplicação do teto remuneratório conforme a Constituição estadual não geraria impacto financeiro adicional ao Tesouro.

Segundo a entidade, a medida dependeria apenas de decisão administrativa. Também foi argumentado que a retomada da paridade remuneratória poderia ser feita sem necessidade de nova legislação ou aumento de despesas, já que os recursos estariam disponíveis em fundo próprio da Fazenda.

Até a manhã desta terça-feira (24), o sindicato informou que aguardava retorno do governo estadual. Sem resposta, a categoria optou por iniciar a paralisação.

O Sindifisco afirmou que tenta, há meses, avançar nas negociações com o Executivo, mas aponta falta de diálogo.

“A condução da política fiscal do estado, até agora, marcada por decisões unilaterais e falta de diálogo, acende um alerta sobre os riscos à arrecadação e à própria capacidade de investimento público. Não se trata de uma reivindicação isolada, mas de um debate estrutural sobre o funcionamento da secretaria da Fazenda”, declarou Nilo Otaviano.