Raquel reclama ter R$ 500 milhões em obras paradas por análises do TCE

Governadora Raquel Lyra disse que irá se reunir com conselheiros do TCE para pedir celeridade na avaliação de obras

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 27/02/2026, às 07h14 - Atualizado às 07h24

Governadora Raquel Lyra faz discurso no evento de vereadores
Governadora Raquel Lyra faz discurso no evento de vereadores - Miva Filho/SEI

Em discurso na UVP, a governadora Raquel Lyra criticou a demora do TCE na análise de licitações e contratos do Estado.

Segundo ela, cerca de R$ 500 milhões em obras de infraestrutura aguardam liberação há seis meses.

Raquel anunciou reunião com o Tribunal na próxima semana para pedir mais celeridade nas decisões.

O embate entre Executivo e TCE já ocorre desde 2025, com críticas do governo a medidas cautelares do órgão.

O TCE, por sua vez, afirma que as cautelares são técnicas, baseadas em indícios de irregularidades e visam proteger recursos públicos.

Em discurso na União de Vereadores de Pernambuco (UVP), nesta quinta-feira (26), a governadora Raquel Lyra (PSD) lamentou uma suposta demora do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em analisar licitações e contratos do Poder Executivo.

O Jamildo.com já publicou críticas públicas de membros do Governo sobre medidas cautelares do TCE. Também publicou negativas dos conselheiros do órgão, que refutam qualquer intenção política com as cautelares expedidas.

A governadora afirmou na UVP que há cerca de R$ 500 milhões em investimentos para obras de infraestrutura atualmente sob análise do TCE, aguardando liberação do órgão de controle.

“Nós estamos há seis meses discutindo no Tribunal de Contas. Estamos todo dia pedindo para poder publicar o edital”, criticou a governadora.

Raquel revelou na UVP que terá uma reunião com o TCE na próxima semana, para apresentar as prioridades da sua gestão e buscar maior celeridade nas análises realizadas pelo TCE.

“Eu vou ter uma reunião com o Tribunal de Contas, na semana que vem, mostrando as prioridades de Pernambuco, para que a gente possa ter celeridade nas análises. É claro que a avaliação deles é importante. Impede que a gente faça coisa errada, melhora o projeto, mas precisa sair. O calçamento não é para mim, a água não é para mim, porque eu tenho isso na minha casa. É para o nosso povo que a gente conhece”, afirmou a governadora.

EMBATE ENTRE EXECUTIVO E TCE VEM DESDE 2025

Em abril de 2025, o secretário de Educação de Pernambuco, Gilson Monteiro, participou de uma audiência da Assembleia Legislativa do Estado para esclarecer questionamentos sobre a gestão de pasta.

Entre os assuntos discutidos, Monteiro atribuiu atrasos relacionados a licitações de kits escolares, merenda e ar condicionado à medidas cautelares emitidas pelo TCE.

Em resposta, o TCE emitiu uma nota rebatendo as falas de Gilson, ressaltando que medidas do tipo são tomadas após indícios de irregularidade e têm como objetivo a proteção de recursos públicos.

O TCE afirmou que não deixará de fiscalizar os entes públicos.

"Medidas como alertas e cautelares são adotadas em caráter excepcional, com base em indícios concretos de irregularidades", dizia trecho da nota do TCE, em abril de 2025.