Polo de Confecções do Agreste cobra proteção ao fim da “taxa das blusinhas” em debate na Alepe

Audiência na Alepe reuniu empresários, deputados e gestores para discutir impactos da concorrência internacional no Polo do Agreste

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 26/05/2026, às 19h10

Imagem Polo de Confecções do Agreste cobra proteção ao fim da “taxa das blusinhas” em debate na Alepe

Alepe debateu impactos do possível fim da “taxa da blusinha”

Setor têxtil teme perda de competitividade no Agreste

Governo de Pernambuco anunciou grupo de trabalho para o Polo

Cadeia de confecções gera cerca de 300 mil empregos no Estado

A retirada da cobrança federal sobre compras internacionais de até US$ 50, popoularmente chamada de 'taxa das blusinhas' acendeu o debate sobre os impactos da concorrência estrangeira no Polo de Confecções do Agreste pernambucano. O tema foi discutido em audiência pública realizada nesta terça-feira (26), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), reunindo representantes do setor produtivo, parlamentares, gestores públicos e entidades empresariais.

O encontro teve como foco os efeitos da Medida Provisória nº 1.357/2025, que propõe o fim da alíquota de 20% do Imposto de Importação aplicada às encomendas internacionais de pequeno valor, cobrança criada em 2024. Atualmente, além do imposto federal, as compras também recolhem ICMS estadual.

Representantes da indústria têxtil e do comércio defenderam a manutenção da tributação como forma de preservar a competitividade da produção nacional e evitar impactos sobre empregos e renda no Agreste pernambucano, especialmente nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, que concentram o principal arranjo produtivo do setor no Estado.

Setor aponta risco de concorrência desigual

Participando por videoconferência, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, afirmou que o crescimento das compras internacionais ganhou força durante a pandemia e disse que o setor passou a denunciar irregularidades em remessas internacionais.

Segundo ele, o programa Remessa Conforme criou mecanismos de fiscalização e, inicialmente, manteve isenção para compras de até US$ 50 como forma de estimular a adesão das plataformas estrangeiras. Pimentel avaliou, porém, que a alíquota de 20% aprovada pelo Congresso ainda seria insuficiente para garantir equilíbrio competitivo e criticou a proposta de extinguir a cobrança federal.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, também defendeu medidas de proteção à indústria nacional. Segundo ele, empresas brasileiras enfrentam custos trabalhistas e tributários superiores aos praticados por concorrentes estrangeiros.

Não estamos tendo isonomia. Como a gente pode ter competições iguais com taxações desiguais? Nós sabemos que esses países não têm mesmo as mesmas despesas que nós temos, além de a taxação interna ser menor que a do Brasil”, afirmou.

Representando a Secretaria da Fazenda de Pernambuco, Edilberto Xavier informou que a cadeia têxtil pernambucana movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão por mês entre as maiores empresas do setor. Ele destacou ainda que o faturamento do Polo de Confecções cresceu aproximadamente 60% desde 2021.

Apesar disso, Xavier ponderou que o volume das remessas internacionais ainda representa uma fatia menor do mercado local, girando em torno de R$ 60 milhões mensais. Segundo ele, apenas um terço dessas compras estaria sujeito à eventual isenção, já que os demais pedidos ultrapassam o limite de US$ 50 e seguem submetidos à tributação de 60%.

Governo anuncia grupo de trabalho

Durante a audiência, o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Pedro Lacerda, anunciou a criação de um grupo de trabalho voltado ao fortalecimento do Polo de Confecções. A proposta é reunir representantes do setor produtivo para elaborar estudos socioeconômicos e subsidiar futuras políticas públicas.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Alepe, deputado estadual Mário Ricardo (Podemos), afirmou que o colegiado acompanhará os desdobramentos da medida provisória e reforçou a defesa do setor produtivo pernambucano.

Esta Casa e esta Comissão irão fazer todo esforço necessário para proteger o setor produtivo pernambucano. Só através do desenvolvimento econômico é possível alcançar verdadeiramente justiça social, emprego e renda para as pessoas”, declarou.

Autor da solicitação da audiência, o deputado estadual Edson Vieira (Podemos) afirmou que o Polo de Confecções não reivindica privilégios, mas equilíbrio tributário entre os produtos nacionais e importados.

O Polo de Confecções não pede privilégio, pede equilíbrio. Ele não quer o fechamento de mercado nem de fábrica, quer isonomia”, afirmou.

O deputado Diogo Moraes (PSB) defendeu que o debate leve em consideração tanto os impactos sobre a cadeia produtiva quanto os interesses dos consumidores. Segundo ele, há articulação junto ao Ministério da Fazenda para discutir alternativas compensatórias ao setor.

Representantes empresariais também participaram do encontro. O presidente da CDL de Santa Cruz do Capibaribe, Bruno Bezerra, afirmou que a discussão envolve a preservação de empregos e da cadeia econômica regional. Já o presidente do Moda Center Santa Cruz, Tales Nery, e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Toritama, Robson Viana, destacaram que o Polo de Confecções gera cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos, com forte participação feminina.

Ao final da audiência, a comissão anunciou o envio de um apelo à bancada federal pernambucana, além da elaboração de uma carta pública contra a medida provisória e do acompanhamento da produção de insumos têxteis no Estado.