Discursos no plenário questionaram cachês pagos por prefeituras, defenderam regulação de contratações e retomaram projetos sobre conteúdo de shows
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 05/02/2026, às 16h19
Deputados debateram cachês pagos a artistas em eventos públicos.
Parlamentares defenderam criação de teto e marco regulatório para contratações.
Caso envolvendo rapper Oruam foi citado em defesa de projetos de lei.
Propostas tratam de restrições a shows com apologia ao crime e às drogas.
Controvérsias envolvendo contratações artísticas por prefeituras dominaram parte dos discursos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) na reunião plenária desta quinta-feira (5), nesta primeira semana de retorno do recesso parlamentar.
O deputado Pastor Cleiton Collins (PP) questionou valores pagos a artistas em grandes eventos, enquanto o Pastor Júnior Tércio (PP) voltou a defender o projeto de lei que restringe apresentações do rapper Oruam, por justificativa de ser um conteúdo considerado inadequado ao público infantojuvenil.
Cleiton Collins (PP) criticou os valores pagos por prefeituras a artistas nacionais, citando dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios, segundo os quais cantores como Luan Santana e Gusttavo Lima receberam cerca de R$ 1 milhão em apresentações realizadas em 2025.
O parlamentar informou que mantém diálogo com a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) para a realização de uma audiência pública e defendeu a criação de um marco regulatório com teto para cachês. “É raro ver cantor que quer fazer show pago. Só querem prefeitura, porque em duas horas ganha o que um trabalhador recebe em 30 anos. Isso é um absurdo, os cofres não aguentam, os municípios vão colapsar, vai faltar remédio”, afirmou.
Já o deputado Pastor Júnior Tércio (PP) repercutiu a decretação da prisão preventiva do músico Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. O artista foi indiciado por sete crimes e teve a prisão restabelecida após violar medidas cautelares, depois de uma decisão anterior de habeas corpus. Segundo o parlamentar, as letras do rapper representam “uma ameaça à família e fazem apologia ao crime e às drogas”.
A partir do caso, Tércio defendeu a continuidade da tramitação dos projetos de lei nº 2.589/2025 e nº 2.822/2025, de sua autoria. O primeiro propõe proibir a contratação, em eventos abertos ao público infantojuvenil, de artistas que promovam ou façam apologia ao crime organizado e ao uso de drogas ilícitas. O segundo busca impedir a realização irregular de bailes de brega funk em espaços públicos.
Quando os projetos e lei foram apresentados na Alepe, Dani Portela (PSOL), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Alepe, convocou uma reunião ordinária para discutir o tema.Segundo ela, em contato com o site Jamildo.com, o baile gera renda e ocupação para mais de 20 famílias, que retiram seu sustento do comércio de alimentos e bebidas no local. "Famílias que, muitas vezes, só tem essa possibilidade de geração de renda, pois são formadas por mães solo, cuidadores de pessoas com deficiência, entre outros", disse.
A parlamentar ainda mencionou que se trata de uma criminalização de corpos e da cultura periférica. "Nosso papel é seguir cobrando políticas públicas efetivas para garantia do bem-estar social dessas pessoas", completou.
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