Com guerra no Irã, construção pede reajuste de contratos de obras públicas após alta de insumos

Setor aponta que aumentos expressivos em materiais como asfalto, cimento, concreto, vidro e tubos de PVC afetam a execução de obras públicas

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 13/04/2026, às 09h17 - Atualizado às 09h26

Projeto do Arco Metropolitano, no Cabo, em direção a Moreno
Alta de custos pressiona obras públicas: setor pede reajuste mensal ao governo e alerta para risco de paralisação no país - Jamildo.com

O setor da construção pediu ao governo federal reajuste mensal em contratos de obras públicas.

A medida responde à alta de insumos causada pela guerra no Irã.

Hoje, os contratos são corrigidos apenas uma vez por ano.

Entidades alertam para risco de paralisação de obras e demissões.

A proposta prevê reajuste mensal quando a variação de custos superar 4%.

Entidades do setor de infraestrutura, lideradas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, solicitaram ao governo federal a adoção de reajuste mensal nos contratos de obras públicas.

O pedido foi encaminhado à Casa Civil e a ministérios estratégicos, diante da escalada de custos de insumos provocada pelos efeitos econômicos da guerra no Irã.

No documento, as organizações defendem a criação de um normativo temporário que permita atualizar mensalmente os valores contratuais durante o período de instabilidade.

A avaliação é que o modelo atual, com reajustes anuais, não acompanha a velocidade da alta de preços, gerando desequilíbrio econômico-financeiro nas obras em andamento.

Segundo o vice-presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge, os impactos do conflito no Oriente Médio já atingem diretamente o setor no Brasil.

Em informe ao site Jamildo.com, ele destaca aumentos expressivos em materiais como asfalto, cimento, concreto, vidro e tubos de PVC — itens essenciais para a execução de obras públicas.

As entidades alertam que a manutenção do modelo atual pode levar à paralisação de obras, rescisões contratuais, demissões e até falta de interesse em novas licitações.

A proposta prevê que, ao atingir uma variação de custos em torno de 4%, os contratos passem a ser reajustados mensalmente, até que o cenário econômico se estabilize.

O setor também reforça seu peso na economia nacional, com impacto em mais de 90 cadeias produtivas, sendo considerado estratégico para a manutenção da atividade econômica em períodos de crise.

Nos bastidores de Brasília, o pleito do setor de infraestrutura ainda circula em fase preliminar dentro do governo Casa Civil, passando pelo crivo da equipe econômica do Ministério da Fazenda. Interlocutores ouvidos reservadamente admitem que há sensibilidade para o tema, diante do risco de paralisação de obras, mas ponderam que qualquer mudança no modelo de reajuste contratual esbarra no impacto fiscal e na necessidade de uniformização de regras para toda a administração pública.

Por ora, o silêncio do Palácio do Planalto é interpretado mais como cautela técnica do que resistência política — embora, na prática, o tempo de resposta possa pressionar ainda mais um setor que já opera sob forte elevação de custos.