Instituições financeiras demonstram desinteresse por folhas de pagamento de órgãos públicos de Pernambuco, como TCE. Estado licitou para Bradesco
por Jamildo Melo
Publicado em 16/01/2026, às 09h10 - Atualizado às 09h44
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco declarou deserta uma licitação aberta em 2025 para gerir sua folha de pagamento, sem interesse de nenhum banco, nem mesmo do atual prestador.
O episódio evidencia a queda de atratividade dessas folhas, antes disputadas por bancos interessados em tarifas e produtos financeiros.
Em contraste, o Governo de Pernambuco conseguiu concluir a licitação da folha do Executivo.
O Bradesco venceu o pregão oferecendo R$ 940 milhões, apenas R$ 1 milhão acima do valor mínimo fixado pela governadora Raquel Lyra.
Do total contratado por 63 meses, 90% dos recursos já foram depositados no Tesouro Estadual, sem necessidade de aval da Assembleia Legislativa.
Sem alarde, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) não conseguiu reunir bancos interessados para gerenciar a folha de pagamento do órgão.
Uma licitação aberta pelo TCE em 2025 foi declarada deserta. Ou seja, nenhum banco se dispôs a pagar para gerenciar a folha de pagamento do TCE.
A diretoria-geral do TCE declarou o fim da licitação "em virtude da ausência de licitantes interessados".
Nem mesmo o Bradesco, que presta atualmente os serviços ao TCE, se ofereceu para fazer um lance.
Anos atrás os bancos disputavam estas folhas de pagamento, interessados na cobrança de tarifas dos servidores, oferecimento de empréstimos consignados e cartões de crédito, de forma a obter lucros com o relacionamento bancário com os servidores.
No entanto, nos últimos tempos, as licitações demonstram certo desinteresse nestas folhas.
A governadora Raquel Lyra (PSD), em 2025, pediu o valor mínimo de R$ 939 milhões para a folha do Executivo. A expectativa nos bastidores era arrecadar mais de R$ 1 bilhão.
O Bradesco, banco vencedor da nova licitação que já prestava os serviços anteriormente, só ofereceu R$ 1 milhão mais que o preço mínimo, no entanto.
Como o site Jamildo.com revelou em primeira mão, o Governo de Pernambuco já recebeu a maior parte dos recursos provenientes da licitação da folha de pagamento dos servidores estaduais.
O leilão teve como vencedor o banco Bradesco, que já presta atualmente esse serviço ao Executivo estadual, e aceitou pagar R$ 940 milhões pela renovação do contrato.
O acordo, assinado no fim de dezembro, tem prazo de 63 meses. Do valor total, R$ 846 milhões, o equivalente a 90% da licitação, foram depositados no caixa do Tesouro Estadual no dia 24 de dezembro, conforme previsto contratualmente.
O restante do montante deverá ser pago em julho de 2026.
A licitação ocorreu por meio de pregão presencial realizado na Secretaria de Administração (SAD), no Recife, em 18 de dezembro de 2025.
O Governo do Estado havia estipulado um lance mínimo de R$ 939 milhões, e o Bradesco apresentou uma proposta apenas R$ 1 milhão acima do valor inicial.
Os recursos arrecadados ingressaram diretamente no Tesouro Estadual e não dependem de aprovação da Assembleia Legislativa para sua utilização.
O certame contemplou exclusivamente os servidores do Poder Executivo.