MPPE apura suspeitas de desvio de recursos públicos, como rachadinha e lavagem de dinheiro, com participação de integrantes do Executivo e Legislativo
por Jamildo Melo
Publicado em 09/09/2026, às 08h39 - Atualizado às 08h52
O Gaeco deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Dinastia para investigar uma suposta organização criminosa em Salgadinho.
Segundo o MPPE, o grupo teria atuado em fraudes em licitações, esquema de "rachadinha", desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
A Justiça autorizou 17 mandados de busca, bloqueio de imóveis e afastamento de dois investigados de cargos públicos.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), deflagrou na manhã desta quarta-feira (9) a Operação Dinastia, que investiga uma suposta organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública no município de Salgadinho, no Agreste de Pernambuco.
O Prefeito de Salgadinho, Joia (PSD), foi preso em flagrante. O MPPE alega que o gestor tentou obstruir investigação e estaria investigado por lavagem de dinheiro. Os agentes encontraram cerca de R$ 580 mil em espécie na residência do prefeito. Em um segundo alvo das buscas, foram apreendidos aproximadamente R$ 167 mil em espécie e outros R$ 165 mil em cheques.
A presidente da Câmara Municipal de Salgadinho, esposa do gestor, também foi alvo de afastamento das funções públicas.
De acordo com o MPPE, as investigações apontam para a possível participação de integrantes dos poderes Executivo e Legislativo municipal, além de servidores ocupantes de cargos comissionados.
A suspeita é de que o grupo tenha atuado no desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações e da chamada "rachadinha", modalidade que, segundo o Ministério Público, teria caracterizado peculato-desvio.
A investigação também apura a possível lavagem de dinheiro com utilização de pessoas físicas e empresas que teriam ligação com os investigados.
Durante a Operação Dinastia, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos municípios de Salgadinho, Passira e Carpina.
O Gaeco contou com o apoio das polícias Civil e Militar de Pernambuco para o cumprimento das medidas judiciais.
A pedido do Ministério Público, a Justiça também determinou a indisponibilidade de bens imóveis atribuídos ao apontado líder da suposta organização criminosa.
Dois investigados também foram afastados de cargos públicos: o próprio prefeito de Salgadinho e a presidente da Câmara Municipal, esposa do gestor.
Todas as medidas cautelares da Operação Dinastia foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
O MPPE confirmou o envolvimento do prefeito e da presidente da Câmara, mas não detalhou no material inicial os nomes de todos os investigados nem o valor total que teria sido desviado.
Como sempre faz, o site Jamildo.com abre espaço para esclarecimentos da gestão municipal, ou legislativo. Além de deixar claro que se trata de uma investigação, não de condenações.
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