MPF vai investigar prevenção de ataques dos tubarões nas praias pernambucanas

Ataques em Piedade e Boa Viagem em maio e junho de 2026, com amputações em criança de 11 anos e uma jovem de 19 anos, motivaram abertura de processo

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 03/11/2026, às 13h54

Placa informa sobre ataques de tubarão no Recife
MPF acompanha políticas de prevenção a ataques de tubarões no litoral de Pernambuco, com foco no monitoramento e na execução do projeto Ecotuba - Divulgação

O MPF instaurou um procedimento para acompanhar as políticas de prevenção de ataques de tubarões no litoral de Pernambuco

O foco é a execução do projeto Ecotuba, após dois ataques com amputações em praias da Região Metropolitana do Recife

Em investigação anterior, arquivada em 2025, o órgão não comprovou relação causal entre Suape e os incidentes

O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco instaurou um procedimento para acompanhar e fiscalizar as políticas públicas voltadas à prevenção de ataques de tubarões no litoral do estado.

A medida foi formalizada pela Portaria 193, assinada pela procuradora da República Mona Lisa Duarte Abdo Aziz Ismail, que abriu um Procedimento de Acompanhamento.

A atuação decorre de dois graves incidentes registrados em praias da Região Metropolitana do Recife.

Em 31 de maio deste ano, uma criança de 11 anos sofreu amputação após ser atacada na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

No dia seguinte, 1º de junho, uma jovem de 19 anos também teve um membro amputado na praia de Boa Viagem, no Recife.

Diante da gravidade dos episódios, o MPF fundamentou a decisão em seu dever constitucional de zelar pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado, pelos direitos da cidadania e pela segurança coletiva.

O objetivo é acompanhar a retomada e a execução dos programas estaduais destinados a reduzir os riscos e evitar novas ocorrências nas áreas urbanas da costa.

Monitoramento do projeto Ecotuba

O foco do acompanhamento é a implementação do projeto Ecotuba — Estratégias de Monitoramento e Prevenção de Incidentes com Tubarões no Litoral de Pernambuco.

A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado, em cooperação com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.

As ações também são supervisionadas pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, sob a coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha.

O MPF determinou o envio do documento à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão, em Brasília.

O órgão acompanhará de maneira contínua as respostas das autoridades e o andamento das pesquisas científicas na região.

Investigação anterior não comprovou relação entre Suape e ataques

Como o Jamildo.com revelou com exclusividade em junho de 2025, o MPF arquivou, em março daquele ano, o inquérito que investigava uma possível relação entre o Complexo de Suape e os ataques de tubarão no litoral pernambucano.

Segundo o laudo pericial, não há comprovação científica de que a degradação ambiental causada pelo porto tenha sido a causa direta dos incidentes na Região Metropolitana do Recife.

O MPF também destacou a redução dos ataques nas últimas décadas e a continuidade do monitoramento ambiental pela CPRH.

O Centro Pericial do órgão reconheceu que Suape provocou degradação ambiental severa na área das obras e de maior trânsito de embarcações.

O laudo ressalvou, porém, que não havia comprovação científica dos reflexos dessa degradação sobre a Região Metropolitana do Recife, situada a vários quilômetros ao norte do porto, onde ocorreram e ainda ocorrem os ataques.

O processo também foi analisado pela procuradora Mona Lisa Duarte Aziz.

Ao arquivar a investigação, em março de 2025, ela apontou a impossibilidade de comprovar que a degradação ambiental causada pela instalação do complexo portuário tenha sido a causa única e decisiva do aumento dos incidentes.

A procuradora também registrou a ausência de dados suficientes para concluir que a construção de Suape seja causa direta ou única do aumento dos ataques na Região Metropolitana do Recife.

Segundo o MPF, a estatal estadual tem realizado medidas educativas e preventivas relacionadas aos incidentes com tubarões, incluindo o financiamento de pesquisas.