Carroceiros acionaram a Defensoria e OAB alegando "perseguição institucional". Lei que proíbe carroças entra em vigor no dia 31 de janeiro
por Cynara Maíra
Publicado em 14/01/2026, às 14h04
A Denúncia: Carroceiros acionaram OAB e Defensoria Pública contra a lei que proíbe tração animal no Recife, alegando exclusão social.
O Prazo: A proibição total começa em 31 de janeiro de 2026.
Oposição: O deputado Romero Albuquerque defendeu a lei, citando maus-tratos e as opções de requalificação oferecidas.
Ação da Prefeitura: Gestão realiza censo itinerante final e oferece indenização de R$ 2.400 (animal + carroça) para quem aderir voluntariamente.
Consequência: Quem não se cadastrar até o fim do mês terá o animal apreendido e sofrerá multas a partir de fevereiro.
Representantes do Movimento dos Carroceiros, Charreteiros e Criadores de Pernambuco (Mocca) formalizaram uma denúncia na Defensoria Pública (DPPE) e na OAB-PE na segunda-feira (12).
O grupo classifica a aplicação da lei municipal que proíbe veículos de tração animal no Recife como "perseguição institucional" e "violação de direitos humanos".
A legislação (Lei nº 17.918/2013) entra em vigor no próximo dia 31 de janeiro. A partir de fevereiro, a circulação desses veículos estará proibida na capital.
O documento entregue aos órgãos de controle alega que a medida resulta em "eliminação social de trabalhadores pobres", apreensão de animais e desemprego forçado.
O grupo, que teve apoio da Associação de Trabalhadores Autônomos (Asttra), pretendia levar o caso à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, mas a Casa encontra-se em recesso parlamentar.
"Não aceitaremos que comunidades inteiras sejam empurradas para a marginalização e tratadas como ilegais em sua própria terra. Trabalho não é crime", afirma o texto da denúncia.
Ativista da causa animal, o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) repudiou a movimentação dos carroceiros. O parlamentar, cuja esposa Andreza Romero é secretária-executiva dos Direitos dos Animais no Recife, defendeu a constitucionalidade da lei.
"Tradição não valida violações, violência ou quaisquer tipos de maus-tratos. O direito à sobrevivência não significa sobreposição à proteção ao meio ambiente", declarou Romero.
Ele argumentou que a lei prevê inclusão social através de capacitação e crédito, rejeitando a tese de exclusão.
O Programa Gradual de Retirada oferece:
Indenização de R$ 1.200 por cavalo e R$ 1.200 por carroça;
Vagas de emprego na limpeza urbana (Emlurb);
Cursos profissionalizantes e microcrédito (CredPop).
A partir de 1º de fevereiro, a fiscalização apreenderá veículos e animais em circulação. A multa prevista é de R$ 500 por animal, além de taxas diárias.
Após normas anteriores, a atual regra existe desde outubro de 2013. Apenas em fevereiro de 2019 a gestão do Recife trouxe um decreto regulamentador (Decreto nº 32.121/19), após pressão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), estabelecendo fase transitória de dois anos com restrições em horários e vias.
Com o início da pandemia da Covid-19, a gestão adiou a implementação plena em 2021. Em agosto de 2025, a Câmara do Recife aprovou projeto complementar ao programa de indenização para diminuir as tensões. Ao longo do ano passado, ocorreram diversos protestos da categoria na cidade.
A proibição busca coibir maus-tratos a equinos, muares, asininos e bovinos, vedando também eventos como vaquejadas e rodeios na cidade