Crise do STF atravessa eleição e deixa para próximo presidente o desafio de recuperar confiança na Corte

Ricardo Leitão avalia que impasse envolvendo STF, Master e Daniel Vorcaro não terá solução antes do segundo turno e deve avançar pelo próximo governo

Ricardo Leitão | Publicado em 26/09/2026, às 13h32 - Atualizado às 13h59

Pedido de vista de Flávio Dino adiou julgamento sobre Alexandre de Moraes, enquanto caso Master amplia pressão política sobre o Supremo
Pedido de vista de Flávio Dino adiou julgamento sobre Alexandre de Moraes, enquanto caso Master amplia pressão política sobre o STF - Jamildo.com

A crise no STF provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master deve atravessar a eleição presidencial e chegar ao próximo governo

Ricardo Leitão analisa as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, as disputas internas na Corte e os reflexos políticos do escândalo

Para o articulista, o Supremo terá de enfrentar o desgaste com transparência e buscar recuperar sua legitimidade perante a sociedade

Vorcaro aposta na crise do STF

Por Ricardo Leitão, em artigo especial para o site Jamildo.com

É zero a possibilidade de a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) ser resolvida até o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. Ou mesmo até o final do ano.

Falta o voto do ministro Flávio Dino para que o Supremo autorize, ou não, a abertura de investigação sobre incomuns relações do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, pivô da maior fraude bancária da história do Brasil.

O prazo de Dino – que pediu mais tempo para examinar o processo – vai até dezembro. Aliado de Moraes, ele deve gastar todos os dias e noites que tem pela frente.

No Senado, manobras regimentais arrastam os prazos.

O presidente Davi Alcolumbre não coloca em votação requerimentos para que seja instalada a CPI do Master, o banco de propriedade de Vorcaro que lhe serviu de instrumento para o golpe estimado em R$ 62 bilhões.

Diante da recusa de Alcolumbre, por seis vezes senadores recorreram ao STF, igualmente sem sucesso: em todas elas haveria erros processuais nos requerimentos.

Avulta, então, Daniel Vorcaro dizendo-se injustiçado.

O ex-banqueiro, preso em Brasília, tem como seu principal advogado junto ao STF Daniel Bialski.

Sua Excelência já prestou serviços ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, investigado por corrupção; a Michelle Bolsonaro, no caso da apropriação ilícita das joias sauditas, e à ex-deputada federal bolsonarista Carla Zambelli, condenada à prisão no Brasil e exilada na Itália.

O que quer o autoproclamado injustiçado Vorcaro?

Nada menos do que a revogação de sua prisão preventiva, que cumpre na penitenciária da Papuda, onde cuida de um canteiro de hortaliças nas longas horas vagas.

Alegam seus advogados que, sendo preventiva a prisão do ex-banqueiro, ela teria de ser reavaliada em 31 de agosto passado, 90 dias depois de sua detenção em 4 de março.

O caos instituc