Plantão Jamildo.com | Publicado em 29/01/2026, às 12h59
Nota divulgada pela Setorial de Mulheres do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Pernambuco, chama atenção para o avanço dos feminicídios no estado, mesmo em um cenário de queda geral nos homicídios.
Segundo o partido, os dados apontam crescimento de 15,7% nos casos de assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero, em contraste com o aumento dos recursos previstos no orçamento estadual para áreas ligadas à proteção social, segurança pública e direitos da cidadania.
Para 2026, o judicializado orçamento de Pernambuco destina R$ 2,75 bilhões para a área de Direitos da Cidadania, R$ 5,01 bilhões para Segurança Pública e R$ 716 milhões para Assistência Social. As três frentes concentram ações de enfrentamento e prevenção à violência. Ainda assim, o PSOL avalia que a previsão orçamentária, por si só, não assegura que os recursos cheguem de forma efetiva às mulheres que necessitam de atendimento imediato.
A legenda também destaca o aumento de 5,2% no número de mulheres que relataram ameaças entre 2023 e 2024, apontando o crescimento progressivo da violência quando sinais iniciais não são tratados pelas políticas públicas. Para o partido, o dado reforça a necessidade de respostas mais rápidas e integradas do poder público.
Ao tratar do perfil das vítimas, a nota menciona que, em 2024, 63,6% das mulheres assassinadas no país eram negras, em sua maioria com idades entre 35 e 39 anos, mortas por companheiros ou ex-companheiros.
O texto associa esse cenário à execução limitada de políticas nacionais, citando levantamento da Consultoria de Orçamento do Senado que indica o uso de menos de 15% dos recursos federais disponíveis para o plano de combate ao feminicídio.
Diante do quadro, a Setorial de Mulheres do PSOL defende ampliação e qualificação dos investimentos voltados à proteção de mulheres em situação de violência, com foco em planejamento, escuta ativa e fortalecimento da rede de acolhimento.
O partido afirma que o enfrentamento do problema exige prioridade política, ações educativas contínuas e expansão de programas capazes de identificar riscos e oferecer apoio antes que a violência resulte em morte.
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