Feminicídios: TJPE expande núcleo para reduzir casos no Grande Recife

Após sucesso em Caruaru com redução de feminicídios, Nioj Maria da Penha inicia operação em seis comarcas da Região Metropolitana do Recife

Publicado em 27/01/2026, às 18h19 - Atualizado às 19h19

Projeto pioneiro do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) contribuiu decisivamente para a redução de 75% dos casos de feminicídio em Caruaru, entre 2023 e 2024. - Foto: Divulgação
Projeto pioneiro do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) contribuiu decisivamente para a redução de 75% dos casos de feminicídio em Caruaru, entre 2023 e 2024. - Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) inaugura nesta sexta-feira (30), às 8h30, no Fórum de Olinda, a nova unidade do Núcleo de Informações Estratégicas e Cumprimento de Ordens Judiciais (Nioj) Maria da Penha.

A iniciativa visa intensificar o combate à violência doméstica no Grande Recife, atendendo, além de Olinda, as comarcas de Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata. A cerimônia terá a presença do presidente do TJPE, desembargador Ricardo Paes Barreto, e da coordenadora Estadual da Mulher, desembargadora Daisy Andrade.

O modelo de expansão é fundamentado nos resultados colhidos em Caruaru, onde o serviço opera desde junho de 2024. Naquela cidade, o projeto contribuiu para uma redução de 75% no número de feminicídios no primeiro ano de funcionamento.

Em abril de 2025, Caruaru atingiu o marco histórico de 12 meses sem assassinatos de mulheres por razões de gênero. Atualmente, a eficácia do núcleo é medida pela rapidez: 80,5% das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) são concedidas em até 24 horas, fator considerado decisivo para salvar vidas em situação de risco iminente.

O funcionamento do Nioj baseia-se na integração entre o Poder Judiciário, o Executivo estadual e as prefeituras. Oficiais de justiça especializados atuam exclusivamente no cumprimento de mandados de medidas protetivas, contando com apoio direto da Polícia Militar.

O diferencial da política pública é o acompanhamento integral da vítima; além do afastamento do agressor, a mulher recebe suporte jurídico, psicossocial e acesso a cursos profissionalizantes, visando a autonomia financeira e o rompimento do ciclo de violência estrutural.

A proteção via MPUs demonstra impacto direto na segurança pública do estado. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que, entre 2021 e 2024, nenhuma das 77.987 mulheres protegidas por medidas protetivas em Pernambuco foi vítima de feminicídio.

A eficiência do sistema também é observada no volume de atendimentos: em 2025, foram cumpridas 2.546 MPUs em Caruaru, superando as 2.099 registradas em 2024, o que corrobora a necessidade de capilarizar o serviço para a Região Metropolitana.