Otávio Gaudêncio | Publicado em 26/06/2026, às 09h09
Em meio à Copa do Mundo, figuras políticas nacionais têm se posicionado contra propaganda das casas de apostas esportivas, conhecidas, também, como bets.
Entre os políticos, a deputada federal e esposa de João Campos (PSB), Tabata Amaral (PSB), tem adotado tom crítico à prática que se tornou a principal causa do endividamento de famílias brasileiras, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School.
A principal crítica da parlamentar foi direcionada a comentários de narradores, comentaristas e repórteres em relação a apostas promovidas pelas bets durante transmissões ao vivo. As reclamações dos políticos utilizam, no geral, trechos da CazéTV, mas não se limitam apenas à emissora.
"O problema está na lei, que hoje permite essa publicidade desenfreada enquanto as pessoas se endividam e adoecem", compartilhou a parlamentar. Tabata ainda divulgou o site do brasilcontrabets.com, projeto que conta com assinatura de quase 100 congressistas de 17 partidos e que tem o objetivo de limitar a publicidade para as empresas de bets.
Para a deputada, a exposição a esse tipo de conteúdo tem impacto direto na decisão do espectador em apostar. "E não venham com essa historinha de aposta quem quer. Dizer isso é tão estúpido quanto dizer que alguém não consegue parar o cigarro porque não está com vontade, não está com disposição. Ou você dizer que uma pessoa que está viciada em cocaína está fazendo aquilo por culpa dela, que é só ela parar, ou que, melhor, ela poderia nem ter começado", defendeu.
A fala repercutiu no país e foi alvo de crítica do vereador do Recife Thiago Medina (PL), que afirmou hipocrisia por parte da política.
"Ela veio para o São João [do Recife — quando João Campos ainda era prefeito], bancado pelas bets. Para usufruir, não tem problema nenhum, né, Tabata Amaral?... Tinha área infantil com patrocínio de bet. Para a Tabata, está tranquilo demais, porque é o namorado dela fazendo", declarou.
A bet à qual o vereador se refere é a Esportes da Sorte, que já patrocinou edições de Carnaval e São João do Recife.
A União, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) — órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública —, investiga o caso. O ente instaurou procedimento para apurar se a emissora CazéTV cometeu irregularidades ao divulgar bets durante as transmissões.
O órgão investiga, em primeiro momento, se o veículo respeita as normas de publicidade responsável. O ministério divulgou, em nota, que a apuração foi instaurada após análise de vídeos nos quais a CazéTV supostamente promovia casas de aposta durante partidas da Copa do Mundo de 2026.
Em posicionamento ao UOL, a emissora disse ainda não ter sido formalmente notificada pelas autoridades competentes. Ela também afirmou seguir a legislação brasileira que dispõe sobre as bets e que está à disposição dos entes públicos.
Servidores de Olinda trabalharão meio expediente na segunda (29), por conta do jogo do Brasil
Receita Federal cumpre mandados de busca e apreensão em Pernambuco devido a suspeita de lavagem de dinheiro com bets
Copa de 2026 pode empurrar brasileiros para dívidas e apostas, aponta pesquisa