Plantão Jamildo.com | Publicado em 16/02/2026, às 07h26
O presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, publicou no sábado (14), após participar do Galo da Madrugada, uma foto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu diálogo com o petista. O gesto ocorre em meio às articulações para a formação da chapa ao Senado na candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao Governo de Pernambuco.
“O caminho da política é sempre o diálogo. Conversando com o presidente Lula sobre a grandeza do nosso Carnaval e projetos e ações para Pernambuco. Simbora trabalhar sempre”, escreveu Miguel nas redes sociais.
O movimento chama atenção porque o grupo político do ex-prefeito de Petrolina apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. À época, Miguel declarou voto em Bolsonaro no segundo turno e seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, foi líder do governo no Senado. No mesmo pleito estadual, Miguel anunciou apoio à então candidata Raquel Lyra (PSD) no segundo turno.
Outro gesto de indicação de Miguel ao Partido dos Trabalhadores foi o encontro com o senador Humberto Costa na quinta-feira (12), que disputará a reeleição. Segundo o petista, o encontro tratou do cenário político estadual e nacional.
“Recebi hoje o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Tivemos uma conversa produtiva sobre os cenários políticos estadual e nacional e os desafios que estão colocados para o futuro de Pernambuco e do Brasil”, afirmou Humberto.
Apesar do clima amistoso, menos de um ano atrás Miguel e Humberto Costa se tratavam como adversários. Em entrevista coletiva na sede do Partido dos Trabalhadores, o senador disparou à queima-roupa: “Bolsonarista que, depois da eleição, mudou de posição e que deseja antecipar o debate eleitoral”. Humberto Costa se irritou porque Miguel Coelho questionou sobre onde foram aplicados os recursos das emendas parlamentares do petista, em Pernambuco.
“Não é verdade que são R$ 200 milhões por ano. Pode olhar tudo que já fiz no meu mandato, nos temas nacionais e estaduais, na defesa da Transnordestina, no PAC Seleções“, completou o ex-presidente nacional do PT.
Um dia depois, em entrevista à Rádio Folha, Miguel Coelho recuou e rechaçou o título de “bolsonarista”. “Eu me considero um político de centro, mas, acima de tudo, alguém que está cansado dessa polarização. Quem tenta se refugiar ou se esconder entre bolsonarista e lulista foge do assunto principal: a qualidade de vida das pessoas.”
A movimentação ocorre enquanto a definição das vagas ao Senado na chapa de João Campos segue indefinida. O prefeito afirmou que deve anunciar os nomes em março. Nos bastidores, o nome de Miguel Coelho é citado como um dos possíveis pré-candidatos.
Quinto colocado na disputa ao Governo do Estado em 2022, Miguel mantém base eleitoral no Sertão. Aliados de João avaliam que essa presença no interior pode ampliar a capilaridade da chapa fora da Região Metropolitana do Recife.
Pesquisa Datafolha divulgada em 6 de fevereiro aponta João Campos com vantagem de 12 pontos percentuais na disputa estadual. Levantamentos internos indicam equilíbrio no interior do Estado contra a governadora Raquel Lyra (PSD), enquanto o prefeito teria desempenho mais forte na Região Metropolitana.
A possível federação entre União Brasil e PP, chamada União Progressistas, também é vista como fator relevante, por ampliar a base na Assembleia Legislativa em caso de vitória.
Apesar das conversas, há resistência no PT ao nome de Miguel Coelho, em razão de seu alinhamento ao bolsonarismo em 2022. Integrantes do partido defendem que a chapa majoritária esteja alinhada ao presidente Lula.
No campo das pesquisas para o Senado, a ex-deputada Marília Arraes aparece à frente, com índices entre 36% e 41% das intenções de voto. Humberto Costa registra percentuais entre 24% e 26%.
Dentro do PT, há quem defenda que, em uma composição com a federação União Progressistas, o nome do deputado federal Eduardo da Fonte (PP) poderia representar um perfil de centro em uma chapa apoiada por Lula. A proximidade de Eduardo com a governadora Raquel Lyra, no entanto, é vista com cautela por aliados de João Campos.
Em entrevista ao Jamildo.com, o deputado federal Carlos Veras (PT) afirmou que o segundo nome de uma eventual chapa alinhada ao presidente deve vir de um partido de centro, mas destacou que a definição dependerá do posicionamento de Lula sobre quem apoiará na disputa pelo Governo de Pernambuco.
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