Otávio Gaudêncio | Publicado em 27/10/2026, às 12h03
Os deputados federais por Pernambuco Lula da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL) trocaram declarações enfáticas nas redes sociais entre a segunda-feira (26) e esta terça-feira (27).
Tudo começou quando Lula da Fonte divulgou uma montagem gráfica nas redes sociais intitulando Mendonça Filho de "O maior perdedor da história de Pernambuco". Na postagem, o deputado do Partido Progressistas ainda lembrava disputas em que Mendonça não saiu vitorioso.
Em resposta a Lula da Fonte, Mendonça disse que "ganhar ou perder faz parte do jogo democrático" e destacou cargos que ocupou durante trajetória política. Ele ainda mencionou que disputou o Senado Federal em 2026 para "representar um segmento político, o liberal, que acredita na produção de quem trabalha, de quem produz" e criticou duramente o deputado.
"Eu não sou vendido, não. Eu nunca me envolvi com coisa errada, eu nunca tive Polícia Federal na minha porta. Eu sou digno e decente", disse.
Mendonça Filho ainda mencionou que Eduardo da Fonte (PP), pai de Lula da Fonte, também foi derrotado na disputa ao Senado em 2026 e comparou a expressividade dos votos entre ambos. "Teu pai, com toda força, com todo dinheiro, com todo poder, não chegou nem a encostar junto de mim", declarou.
Na disputa ao Senado Federal, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) conquistaram as duas vagas Mendonça e Dudu ocuparam, respectivamente, a terceira e quarta vaga, com diferença de pouco mais de 400 mil votos.
Lula da Fonte voltou a se posicionar e citou capítulos polêmicos da trajetória política de Mendonça Filho e defendeu a figura de Dudu da Fonte, também presidente estadual do PP e da Federação União Progressista.
"Você só esqueceu de se explicar que, em 2010, quem foi preso em flagrante por desrespeitar a lei eleitoral foi você. Você também se esqueceu de explicar que você já foi indiciado no Ministério Público por receber propina de empreiteira e de construtora para sua campanha derrotada também em 2010. Você esqueceu de se explicar que, quando foi ministro da Educação, você foi denunciado no Conselho Nacional de Saúde por estar beneficiando algumas instituições privadas, algumas faculdades de medicina, em detrimento de outras, quando você baixou uma portaria para proibir a abertura", declarou.
O segundo turno presidencial também foi citado por Lula, como crítica ao desempenho de Mendonça Flho como coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro em Pernambuco, estado que cresceu votação no presidente Lula (PT) no segundo turno.
"Respeite a minha família, me respeite, porque, quando você só colecionou derrotas na sua trajetória política, a gente estava celebrando diversas eleições ao longo da nossa vida [...] Quando você, em 2018, tentou lançar a sua irmã e lançar o seu filho, ambos perderam a eleição. Então, respeite o meu pai, Eduardo da Fonte, e lave a sua boca para falar dele, seu mau caráter", respondeu.
Ex-União Brasil, Mendonça Filhou deixou a legenda após 40 anos e se juntou ao Partido Liberal. A movimentação ocorreu em paralelo às articulações para homologação da Federação União Progressista, que juntou União Brasil e Partido Progressistas.
Já era sabido que Eduardo da Fonte seria o líder da federação no estado e os partidos viviam clima de indecisão quanto ao lançamento de Miguel Coelho, presidente estadual do União Brasil, ao Senado ou Dudu.
O impasse fez com que Mendonça pedisse ao presidente nacional do União, Antônio Rueda, que desfizesse a federação.
Com a desistência de Miguel de concorrer ao Senado Federal e confirmação de que Eduardo da Fonte seria o nome da federação, e na chapa majoritária de Raquel Lyra (PSD), Mendonça lançou candidatura pelo PL.
Já na campanha, Mendonça Filho esteve envolvido em problemas eleitorais ligados à sua aproximação com a governadora durante o período pré-eleições. A chapa de Raquel teve como candidatos ao Senado Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha (PSD).
Em meio à impossibilidade de manter alianças eleitorais correspondidas com Raquel, Mendonça formou chapa avulsa com o então candidato ao Senado pelo Partido Novo, Carlos Sant'Anna.
Essa articulação também rendeu críticas diretas de Mendonça a Eduardo da Fonte, chamando o líder do PP de "melancia, verde por fora e vermelho por dentro". A analogia reforçava o pedido ao eleitorado de que não votasse em Dudu sobre a justificativa dele não ser uma candidatura verdadeiramente de direita.
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