Marília Arraes defende mobilização popular contínua para ajudar em governabilidade de Lula em meio a um Congresso dominado pela direita e aliados de Flávio
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 27/10/2026, às 09h02
A senadora eleita Marília Arraes (PDT) parou as comemorações da vitória do presidente Lula (PT) para falar com apoiadores sobre o cenário de governabilidade para o próximo mandato do petista.
"Nossa luta vai ser muito grande para que a gente possa, de fato, garantir a governabilidade do presidente Lula tanto no Senado quanto na Câmara Federal", disse Marília.
Para combater a oposição ao presidente Lula e favorecer a circulação de pautas de interesse do Executivo no Legislativo, a senadora aposta em continuar a mobilização popular vista na campanha petista para o segundo turno.
"Vamos continuar mobilizando nas ruas para que, em cada casa, em cada rua, em cada brasileiro, em cada brasileira, a gente tenha legitimado a luta que a gente vai travar lá no Senado, para que a gente possa garantir ao presidente Lula esse quarto governo de muitas conquistas para a classe trabalhadora", declarou.
A fala de Marília se assemelha às do deputado federal André Janones (Rede-MG) e de outras figuras de esquerda que trabalharam na campanha de Lula nesse segundo turno.
Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal, do então candidato Flávio Bolsonaro (PL), tem ampla maioria, com 121 parlamentares. O PT, integrante da Federação Brasil da Esperança, com PCdoB e PV, soma 88 deputados.
Juntando o PT às legendas do PSB (15), PSOL/Rede (15) e PDT (6), a sigla do presidente Lula teria 124 apoios de campos de ideias parecidos. O número representa cerca de 24,17% do total de 513 cadeiras da Casa e só mostra três cadeiras a mais que o PL.
Com a terceira maior bancada da Câmara para a próxima legislatura, a Federação União Progressista, que determinou o estrito apoio de todos os diretórios a Flávio Bolsonaro no segundo turno em 2026, conta com 87 deputados federais.
Ainda nessa composição, entre os partidos que apoiaram Flávio nacionalmente, estão o Republicanos (41), MDB (36), Podemos (27) e Novo (10). As direções do MDB e Republicanos em Pernambuco apoiaram Lula nas eleições.
Na soma, PL e legendas que deram apoio a Flávio somam 322 cadeiras na próxima legislatura.
No Senado Federal, onde são julgados processos de impeachment a autoridades como o presidente da República e ministros do STF, PL e PT continuam polarizando as duas principais forças.
O partido ao qual os Bolsonaro são filiados terá 28 senadores da República, 18 a mais que a segunda maior bancada (PT). União Brasil e Partido Progressistas terão 12; Novo contará com três; Podemos com dois; Republicanos com cinco; e MDB com oito. Nesse meio, ainda há a figura do senador Romário Faria, que saiu do PL e ainda não anunciou a qual partido se juntará.
A junção dos nomes dá 58 senadores. Processos de impeachment precisam da aprovação de 54 senadores para que seja aprovado o afastamento de alguma autoridade. O cálculo, porém, não assegura a transferência de votos aos ideais do PL.
Com a máquina pública do Executivo na mão, é mais plausível que Lula consiga retomar alianças com partidos de centro, seja por meio de apoio a candidaturas à Mesa Diretora ou por indicações a cargos no Governo Federal.
PT e partidos mais próximos somarão 15 parlamentares.