Depois de decisão do TRE, Mendonça afirmou que pedido seria "desespero" com seus índices nas pesquisas eleitorais ao Senado e manteve endosso para Raquel
por Cynara Maíra
Publicado em 08/09/2026, às 07h41 - Atualizado às 08h07
Decisão do TRE-PE: Liminar mandou suspender propagandas eleitorais de Mendonça Filho (PL) que exibiam imagens e menções a Raquel Lyra (PSD).
Fundamentação jurídica: O tribunal considerou que a peça criava a falsa ideia de aliança oficial, contrariando o Código Eleitoral e normas do TSE.
Prazos e multas: A Justiça estipulou 24 horas para remoção de peças no rádio, TV e redes sociais, além de multa diária de R$ 20 mil por descumprimento.
Reação de Mendonça: O deputado chamou o pedido de "desespero" de adversários com pesquisas eleitorais e afirmou que manterá o apoio à reeleição de Raquel.
Divisão da base: A medida partiu da chapa oficial governista, que tem Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD) como postulantes ao Senado.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) solicitou na segunda-feira (7) a remoção da propaganda eleitoral do candidato ao Senado pelo PL, o deputado Mendonça Filho. A decisão ocorreu após um pedido da Coligação Pernambuco de Coração, encabeçada pela governadora Raquel Lyra (PSD).
O desembargador eleitoral Paulo Augusto de Freitas Oliveira determinou que o candidato e o Partido Liberal (PL) retirem, em até 24 horas, as peças veiculadas no rádio, na televisão e na internet. A decisão fixa multa diária de R$ 20 mil para cada representação em caso de descumprimento e estipula prazo de duas horas para que as emissoras de TV retirem o conteúdo do ar. A Justiça também ordenou a retirada de um vídeo publicado no perfil de Mendonça no Instagram.
A medida atende a representação da coligação governista, que reúne os candidatos oficiais ao Senado Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD). O relator avaliou que a propaganda de Mendonça induz o eleitor à falsa ideia de que a governadora apoia sua candidatura ou de que ambos concorrem na mesma chapa.
No vídeo contestado, o deputado do PL utilizava imagens e declarações ao lado de Raquel Lyra, afirmando que desejava chegar a Brasília para "ajudar Raquel". O desembargador aplicou o artigo 242 do Código Eleitoral e o artigo 9-C da Resolução nº 23.610/2019 do TSE, normas que proíbem propaganda destinada a criar estados mentais artificiais ou divulgar vínculos eleitorais inverídicos.
O magistrado rejeitou o argumento da defesa de que as gravações mostravam apenas fatos verdadeiros de parcerias anteriores. De acordo com a liminar, a publicidade projeta uma composição eleitoral inexistente, prejudicando os candidatos registrados pela Coligação Pernambuco de Coração.
Após a suspensão, Mendonça Filho declarou que o pedido judicial mostra o "desespero" de adversários incomodados com o seu percentual nas pesquisas de intenção de voto. O candidato manteve a posição favorável à governadora e afirmou que continuará pedindo votos para a reeleição da gestora.
"Não será o desespero de quem até bem pouco tempo estava apoiando João Campos que vai mudar a minha história de amizade e trabalho com Raquel, pelo Agreste e por Pernambuco", afirmou o parlamentar do PL.
Mendonça declarou que sua aliança com Raquel teve início quando ela administrava a Prefeitura de Caruaru e questionou a postura dos concorrentes da base. "Onde estavam essas pessoas nos momentos mais difíceis vividos por Raquel Lyra? Eu estava ao seu lado e vou continuar no mesmo lugar", disse.
A ação judicial aponta a concorrência principalmente entre Mendonça Filho e Eduardo da Fonte, que disputam fatias semelhantes do eleitorado no estado. Embora o PL não faça parte formalmente da chapa de Raquel, Mendonça já compareceu a atos públicos com a governadora e pede votos para a candidata à reeleição.
Para delimitar o palanque governista, Raquel Lyra chegou a reafirmar seu apoio a Dudu da Fonte durante uma carreata em Escada no último domingo (6). N agenda na Mata Sul, a governadora foi ao microfone ao lado de Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha para declarar que os dois deputados são os seus candidatos formais ao Senado na eleição deste ano.